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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Gás lacrimogêneo, fuzis e armas pesadas contra pedras.Solicitação palestina à ONU concentra atenção mundial nesta sexta-feira

Palestinos e soldados israelenses se enfrentam na Cisjordânia

Manifestantes palestinos enfrentaram soldados israelenses nesta sexta-feira em diferentes pontos da Cisjordânia, horas antes do discurso que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, fará na ONU antes de apresentar o pedido de admissão do Estado palestino na organização.

Cerca de 120 manifestantes, segundo a edição eletrônica do jornal "Yedioth Ahronoth", se concentraram próximo em uma área a oeste de Ramala e atiraram pedras contra as forças militares israelenses. Os soldados reprimiram os manifestantes com gás lacrimogêneo e outros equipamentos adquiridos recentemente por Israel para conter uma possível onda de protestos pela apresentação da candidatura da Palestina à ONU. Três pessoas, entre elas um jornalista francês, sofreram ferimentos pela inalação do gás.

Em Bilin, onde durante anos os palestinos se manifestaram para protestar contra a construção da barreira de separação da Cisjordânia, também foi registrada uma pequena concentração. E em Qalandia, um dos focos de maior tensão entre Jerusalém e Ramala, testemunhas informaram que homens encapuzados arremessavam pedras contra as forças israelenses.

Pouco antes, a polícia de fronteiras israelense deteve três palestinos em uma estrada de Jerusalém Oriental por atirarem pedras contra veículos israelenses, e outros dois na Cidade Antiga por desordens na entrada da Esplanada das Mesquitas. As autoridades de Israel estão em estado de alerta máximo nesta sexta-feira por temer uma onda de distúrbios pelo discurso de Abbas na ONU, e prepararam um dispositivo de segurança de mais de 9 mil agentes.

A reivindicação que os palestinos apresentarão à ONU para ingressar nessa organização como Estado de pleno direito concentrará a atenção mundial nesta sexta-feira. O discurso do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, perante a Assembleia Geral está previsto para acontecer na parte da manhã (horário local).

Abbas apresentará a reivindicação histórica de seu povo a um Estado conforme as fronteiras de 1967, que incluem Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Imediatamente depois de seu discurso, Abbas entregará a carta de reivindicação para ingresso na ONU ao secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon, que deverá revisá-la para assegurar que está conforme o artigo quatro da Carta de Nações, e então remetê-la ao Conselho de Segurança. A delegação palestina já assinalou que Ban garantiu que esse trâmite, que não tem prazo definido, não estará sujeito a nenhum atraso politicamente motivado. Para ingresso na ONU, é preciso obter no principal órgão de decisões da organização multilateral uma maioria de nove votos e nenhum veto dos cinco países com esse direito (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China). No entanto, o presidente americano, Barack Obama, já anunciou que vetará o pedido palestino.

Uma hora depois de Abbas deverá discursar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que considerou a decisão palestina unilateral e prejudicial para uma resolução do conflito no Oriente Médio. As negociações diretas entre palestinos e israelenses estão estagnadas há um ano, devido à recusa de Israel em evitar novos assentamentos de colonos.

O Conselho de Segurança não tem um prazo definido para analisar a carta palestina, mas segundo os especialistas este processo pode levar várias semanas. Enquanto isso, milhares de palestinos na Cisjordânia e em Gaza aguardam com expectativa o discurso do presidente da ANP. Por outro lado, os serviços de segurança israelenses declararam estado de alerta máximo a partir da manhã desta sexta-feira pelo temor de possíveis distúrbios depois do discurso de Abbas. A situação de alerta, que estará em vigor durante três semanas, inclui nove mil policiais, além de milhares de voluntários para garantir a segurança dentro das zonas mais sensíveis de Israel. [zonas essas que apesar de serem consideradas ‘mais sensíveis de Israel’ estão em sua maior parte em TERRITÓRIO PALESTINO, invadido por Israel e mantido sob ocupação militar há mais de quarenta anos.]

Fonte: EFE

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