Donos de bares e restaurantes reclamam da falta de policiamento em Brasília
Três dias após o arrastão ocorrido no restaurante Ninny, na 309 Norte, funcionários, clientes e donos de estabelecimentos comerciais do Plano Piloto revelam-se inseguros com a escalada da violência em Brasília. Para minimizar as chances de roubos e furtos, alguns empresários locais apostam na contratação de seguranças particulares e na instalação de sistemas eletrônicos de vigilância.
Com 12 anos de atuação no setor, o dono do Ninny, Antonino de Giovanni, disse nunca ter passado por uma situação semelhante à da última sexta-feira. “Brasília mudou e agora não tem mais segurança. Assalto acontece no mundo inteiro, mas não esperava que acontecesse aqui. A única coisa que me incomoda é que mexeram com os meus clientes”, afirmou.
Na ocasião, três homens armados, entre eles um adolescente de 17 anos, invadiram o local e levaram dinheiro do caixa, relógios, aparelhos celulares e diversos objetos da clientela. Toda a ação durou cerca de cinco minutos. Os assaltantes fugiram em um Voyage prata, em direção ao Paranoá. Pessoas que presenciaram o crime anotaram a placa do veículo e policiais militares da Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam) prenderam os ladrões na entrada do Varjão. [quando os ladrões estão em um dia de azar e topam com a PM, são presos – já que os policiais durante as poucas horas de trabalho procuram ser eficientes e cumprir com o dever.]
No início do mês, um caso parecido assustou frequentadores de uma cafeteria e de uma lanchonete na Entrequadra 209/210 Norte. Por volta das 2h, três criminosos invadiram os estabelecimentos e fizeram 17 pessoas reféns por cerca de 10 minutos. “Ninguém está preparado para um assalto, ainda mais em restaurante. Na periferia do DF, os roubos acontecem sempre, mas o Plano Piloto fica mais visado porque há mais circulação de dinheiro. Se eles quiserem assaltar de novo, eles vão assaltar porque não há nenhum tipo de segurança no comércio”, avaliou o gerente do restaurante Ninny, Edinaldo Martins.
Para evitar o ataque de bandidos, Everson Repeto, gerente do Feitiço Mineiro, na 306 Norte, investiu na instalação de um sistema de monitoramento no local, o que permite a observação de qualquer movimentação. “Quando aparece algum suspeito, ligamos imediatamente para a polícia e ela vem. Fico sempre em alerta porque não é a primeira vez que isso acontece. A cidade está inchando muito e temos visto que, em Brasília, os arrastões começam a acontecer”, lamentou.
Cosme e Damião
Além de um sistema de câmeras, o Beirute da 107 Norte conta com a presença de seguranças desarmados. “Eles ficam espalhados e não deixam ninguém se aproximar das mesas para pedir esmola. Não maltratamos ninguém e, vez ou outra, damos alguns quibes ou sucos”, contou o gerente, Roger de Almeida. Ele avalia que o problema se agrava à noite, quando o fluxo de clientes é maior. “Falta policiamento. Se tivesse a dupla Cosme e Damião circulando no período noturno, a gente ficaria mais tranquilo.”
Para o titular da Delegacia de Repressão a Roubos (DRR), Érito Cunha, em Brasília ainda não ocorrem arrastões como os de São Paulo, onde bandidos passam em vários estabelecimentos, levam os pertences das vítimas e ainda depredam os locais. “Os criminosos sabem que, se perderem tempo assaltando, a polícia vai chegar. Mas o que tem acontecido é uma ação despreparada.”
Levantamento divulgado pelo Departamento de Atividades Especiais (Depate) da Polícia Civil do DF revelou que 223 bares e restaurantes sofreram roubo ou furto nos primeiros sete meses. Do total, 53 (23,4%) ocorreram nas asas Sul e Norte.

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