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segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Miriam Belchior quer brasileiros em casa nos dias de jogos. Isso é ofender aos brasileiros

Ao dizer que mobilidade urbana não é essencial na COPA, Miriam Belchior diz asneira monumental e desrespeita centanas de milhares de brasileiros

[Presidente Dilma: essa sua ministra precisa urgentemente ser enquadrada, talvez a demissão seja mais eficaz e melhor para o Brasil e mesmo para a Senhora. A ministra Miriam já arrumou duas ou três confusões com o Supremo, sempre posando de 'sargento', e agora quer simplesmente que em dias de jogos da COPA 2014 - se houver COPA 2014 no Brasil - os brasileiros fiquem em casa. Isso é asneira demais para ser dita por apenas uma pessoa.]

Amigos do blog, como dizia o grande jornalista Geraldo Mayrink, prematuramente falecido, “não há limites para a insânia”.

Vejam essa extraordinária declaração da ministra do Planejamento, Miriam Belchior, até agora, diferentemente de vários de seus colegas, infensa a holofotes e a afirmações controvertidas ou estapafúrdias. Num encontro com empresários, a ministra disse que, no seu alto entender, obras de mobilidade urbana necessárias para as cidades que serão sede de jogos da Copa do Mundo de 2014 “não são essenciais” para a realização das partidas.

Com a maior calma do mundo, a ministra afirmou que as licitações para essas obras estão sendo realizadas agora, e que serão – vejam só – iniciadas no ano que vem, porque “não são fundamentais” para a Copa. Essenciais seriam obras em estádios, portos, aeroportos e rede hoteleira.

Ministra Miriam Belchior: falta de respeito para centenas de milhares de torcedores brasileiros (Foto: Agência Brasil)

[presidente Dilma, essa sua ministra tem sérios problemas de necessidade de se afirmar, aparecer; tentou se manter longe dos holofotes, esperando que eles fossem buscá-la, ao fracassar, resolveu aparecer mesmo que com atitudes infantis, burras mesmo - perdoem-me os asnos - agressão a um dos Poderes da República, falando bobagem como a em comento.

A Senhora tem três soluções para conter a ministra Miriam:

a) demiti-la sumariamente;

b) inclui-la oficialmente entre as 'meninas super poderosas' do seu ministério; ou,

c) colocar na ministra uma farda de sargento e um pelotão para ela satisfazer sua autoestima.]

Diante de jornalistas boquiabertos, Belchior continuou (e notem o uso da primeira pessoa do singular): – Posso decretar um feriado em São Paulo no dia do jogo e garantir que não tenha trânsito.

Antes de mais nada, a ministra errou. Ela não pode decretar feriado algum. Segundo o projeto da chamada Lei Geral da Copa, isso cabe à presidente, aos governadores e aos prefeitos. Mas vamos deixar isso de lado.

Vamos ao que interessa.

Que maravilha. Um feriado em São Paulo, o maior centro econômico do Brasil, por causa de um jogo de futebol. E outro no Rio. E outro em Belo Horizonte. Um quarto em Porto Alegre. Em Curitiba também, por que não? E em Salvador. E igualmente no Recife. E torna-se a decretar feriado em São Paulo, para uma segunda partida. E para um eventual terceiro jogo. E por aí vai.

Deus do céu, que asneira monumental, essa forma de encaminhar o problema. Exectuada a extravagância espantosa, e ridícula, dos feriados – país nenhum, desde o início dos mundiais, em 1930, precisou recorrer a esse expediente –, que supostamente enxugariam o trânsito das cidades, como acha a ministra que os torcedores chegarão aos estádios, e sairão deles rumo a suas casas?

De helicóptero? Com o velho pó de pirilimpimpim dos livros de Monteiro Lobato?

A frase da ministra Miriam é arrogante e desrespeitosa para com os centenas de milhares de brasileiros que certamente se disporão a acorrer aos estádios durante a Copa de 2014 e necessitam de um mínimo de conforto.

Cobri, como jornalista, uma Copa do Mundo, como chefe da equipe de VEJA – o Mundial de 1982, na Espanha, no qual o Brasil brilhou intensamente com a extraordinária seleção de Telê Santana mas, como se sabe, acabou eliminado pela medíocre e aplicada Itália.

Pois bem, naquele mundial, quando ninguém mencionava nem sabia o que era a expressão “mobilidade urbana”, um dos principais investimentos feitos pelo governo espanhol e pelas regiões e cidades onde ocorreriam as partidas foi na modernização ou construção de vias de acesso aos estádios, na coordenação dos distintos meios de transporte coletivo de e para os estádios e na melhoria, ampliação ou feitura de estacionamento para veículos.

Isso, vejam bem, foi há 29 anos. E eu sei porque estive lá, durante 45 dias.

Agora, no Brasil, querem reinventar a roda – que vai sair quadrada e nos cobrir de vergonha.

Fonte: Blog do Ricardo Setti

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