As vendas secretas de armas de Obama para Israel
O site The Daily Beast traz nesta sexta-feira detalhes de uma reportagem aa revista Newsweek.. Segundo o site, enquanto a administração Barack Obama vinha realizando pressão pública para que Israel parasse de construir assentamentos nos territórios palestinos ocupados e retomasse as negociações de paz – algo que desgastava as relações entre as duas nações – a Casa Branca vinha aumentando a cooperação militar com Israel, inclusive com vendas secretas de armas.
De acordo com a revista, uma das vendas foi de 55 bombas penetrantes, conhecidas como “destruidoras de bunkers”. A venda foi solicitada por Israel em 2005 e autorizada pela administração George W. Bush em 2007. Em 2009, após a posse de Obama, a Casa Branca autorizou a entrega. As bombas prossegue a revista, poderiam ser usadas para destruir arsenais de foguetes dos braços armados do Hamas (Faixa de Gaza) e do Hezbollah (Líbano), mas também para tentar destruir instalações nucleares do Irã, o principal adversário israelense na região.
James Cartwright, general dos fuzileiros navais que serviu até agosto como vice-presidente do Estado Maior Conjunto, disse à Newsweek que os chefes militares não tinham objeções à venda. Na verdade, disse Cartwright, havia uma preocupação sobre “como os iranianos iam receber a venda” e como “os israelenses iam percebê-la”. Em outras palavras, seria a venda vista como uma luz verde para Israel atacar as instalações nucleares do Irã algum dia? Será que de alguma forma demos a alguém a luz verde sem querer fazer isso? Se essa luz verde foi uma luz verde israelense para fazer alguma coisa ou se foi uma mensagem para os iranianos: ‘OK, esses caras não falam seriamente sobre conversas, eles estão começando a se armar”, explica Cartwright.
Não é preciso ser um analista experimentado da política internacional para saber que os Estados Unidos vendem armas para Israel. Mas as informações de bastidores chegam a público em um momento no qual as relações da Casa Branca com Israel ficam sob os olhares do mundo, uma vez que o governo Obama deve vetar o pedido palestino de ingresso nas Nações Unidas, atendendo a vontade de Israel. Chama mais a atenção a revelação de que, enquanto Obama parecia em público ser duro com Israel, seu governo continuava armando o aliado.
Ainda segundo a Newsweek, o deputado Steve Rothman, que trabalha nos comitês do Congresso que lidam com o financiamento militar e de ajuda externa americana, Obama deu “ordens para os militares ampliarem a cooperação com Israel em todos os níveis”. A cooperação com Israel é um trunfo eleitoral para Barack Obama.
Reportagem do jornal The New York Times desta sexta-feira lembra que ele recebeu 80% dos votos dos judeus americanos na última eleição e que, apesar de esta comunidade estar cada vez mais desiludida com sua administração (como toda a sociedade americana), ele ainda desfruta de aprovação de 54% dos eleitores judeus, enquanto apenas 41% do total dos americanos avaliam que ele faz uma boa administração.

0 comentários:
Postar um comentário