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quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Presidente da UNE não recomenda participação em nenhuma marcha contra a corrupção. A UNE já está vendida ao governo

Silêncio do Palácio do Planalto em relação à frente de combate à corrupção é preocupante, diz Cristovam Buarque


O ex-ministro do governo Lula e senador Cristovam Buarque (PDT-DF), integrante da Frente Suprapartidária Contra a Corrupção e Impunidade, disse ao GLOBO que o silêncio do Palácio do Planalto em contrapartida ao apoio da sociedade no combate à corrupção é preocupante. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores parece ter "ojeriza" à bandeira ética, e a presidente Dilma Rousseff é refém de seus "aliados". Cristovam diz que suas esperanças estão acabando em relação ao governo e que, se nada for feito, assinará a CPI da Corrupção e ajudará na coleta de assinaturas.

O GLOBO: O senhor ficou descontente com atitude do Palácio do Planalto de não se posicionar sobre o apoio da Frente de Combate à Corrupção e Impunidade à faxina da presidente Dilma?

CRISTOVAM BUARQUE: Eu fico preocupado quando vejo que o governo não percebe a importância de uma frente que quer apoiar a presidente na luta contra a corrupção. É preocupante. Passa a impressão de que não está querendo que essa luta vá adiante. Essa é a sensação que eu tenho hoje ao escutar, entre aspas, o silêncio do Palácio do Planalto em relação às posições desse grupo. Mas o que mais me surpreende é quando eu vejo o Partido dos Trabalhadores na defensiva. O PT entregou a bandeira ética a outras pessoas. Essa sempre foi uma bandeira muito clara do Partido dos Trabalhadores e, de repente, ele parece incomodado com o fato de que existem pessoas defendendo a ética. A primeira parte eu vejo como preocupação, já a segunda, com muita tristeza. É uma bandeira que o PT parece estar com ojeriza.


Clique aqui para relembrar alguns dos escândalos do governo Dilma

O GLOBO: O que o senhor acha da CPI da Corrupção? O senhor já assinou?

CRISTOVAM BUARQUE: Ainda não. E eu quero sublinhar o "ainda" e explicar. Eu não assinei ainda porque creio que nós precisamos dar uma chance à presidente para ela fazer essa faxina. Se nós fizermos uma CPI, acontecerá uma de duas coisas. Uma: a CPI não avança nada, como a maioria das CPIs. Aí vai ser ruim para o próprio Congresso. Dois: a CPI avança e a presidente vai ter que seguir porque a CPI descobriu. Vai ser bom para o Brasil, mas vai ser ruim para a Presidência. Então, quero dar um tempo à presidente. Mas confesso que, aos poucos, estou perdendo a esperança de que a presidente queira fazer isso.

O GLOBO: Então, o senhor acha que a presidente parou a faxina no meio do caminho?

CRISTOVAM BUARQUE: Estou com a sensação de que ela parou no meio do caminho. E se essa parada realmente acontecer, se nós nos convencermos de que ela parou, aí a CPI pode ser o caminho para libertar a presidente. Por que a impressão que fica é que ela parou por estar cercada de pessoas que não querem que a luta contra a corrupção continue. Essas pessoas não querem. A presidente quer. Então, ela está prisioneira. O melhor caminho era ela fazer tudo isso, essa limpeza, essa faxina, sem precisar de CPI, sem precisar do Congresso. Mas se eu sentir que é necessário para libertá-la assinar a CPI, não tenha dúvida de que eu não só assinarei, como vou pedir a outras pessoas que assinem também.

O GLOBO: Qual diferença do combate à corrupção entre o governo Lula e o governo Dilma?

CRISTOVAM BUARQUE: Acho que a Dilma fez coisas que o Lula não fez, como a demissão de trinta e tantas pessoas em diversos ministérios. O Lula não fez isso. A Dilma fez.

O GLOBO: Qual será o próximo passo da Frente Suprapartidária de Combate à Corrupção?

CRISTOVAM BUARQUE: O próximo passo que nós queremos dar com esse grupo, e eu estávamos conversando com os senadores Pedro Taques e Randolfe (Rodrigues), é que nós precisávamos manter, não apenas a luta pela corrupção, mas também ampliar essa luta em torno de uma pergunta: que Brasil nós queremos? Então, neste 'que Brasil nós queremos?', o primeiro item é o combate à corrupção, mas não é o único, há muitos outros itens...

'Não estamos sugerindo participação especial em nenhuma das marchas contra corrupção', diz presidente da UNE

[A União Nacional dos Estudantes - UNE, já se vendeu há muito tempo ao governo federal - tanto que no seu último congresso foi tudo bancado pelo desgoverno Dilma. É uma espúria e imoral 'chapa branca'.]

O presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, estudante de Ciências Sociais da UFRJ, disse em entrevista ao GLOBO que a entidade apoia as manifestações que ocorrem no país nesta quarta, mas não faz uma recomendação especial para as mobilizações em torno do tema da corrupção. Segundo ele, os integrantes da UNE estarão dispersos pelo país em várias manifestações que marcam o Sete de Setembro, no entanto, nenhuma delas organizada pela entidade.

[isso é que é um presidente digno de uma entidade 'chapa branca']

Fonte: Globo.com

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