Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro ouvirá, nesta segunda-feira, o general responsável pela Força de Pacificação do Complexo do Alemão, Cesar Leme Justo, sobre o tumulto neste domingo, envolvendo militares e moradores do Morro da Alvorada, no Complexo do Alemão . Um vídeo gravado por moradores mostra os soldados atirando balas de borracha e usando spray de pimenta. O conflito acabou com vários feridos e três detidos. O general Justo disse em entrevista ao telejornal "RJTV", que não houve violência excessiva. - A truculência não existe. Nossa preparação é para a guerra, mas neste caso estamos atuando para manter a paz na comunidade. Nós estamos apurando a situação - declarou. [os que criticam o uso de armamento não letal pela tropa, cujos integrantes estavam sendo atacados a pedradas, queriam que a mesma usasse que armas: baionetas: FAL com munição 7,62?
Desde o inicio da utilização das Forças Armadas, especialmente do Exército, ficou evidente o risco de ocorrerem tentativas de desmoralizar o EB. Trata-se de uma ação preparada pela petralhada – tentaram o folhetim ‘amor e revolução’ que não deu certo e agora tentam o confronto.
É dever do Comandante do Exército, se possível empenhando o próprio cargo exigir que eventuais danos causados pelo uso de tropas do EB, sejam considerado como naturais e esperados em situação em que tropas treinadas para a guerra, para o confronto com mortes, são usadas em ações de policiamento e nas quais alguns idiotas do governo do Rio e do próprio governo federal querem que as tropas retribuam pedradas com beijinhos ou flores – tanto que ousam condenar até o uso de meios não letais.]
VÍDEO 1: Blog Voz das Comunidades mostra detalhes da confusão na favela
De acordo com o general, os vídeos analisados mostram claramente que os moradores atiraram objetos em cima dos soldados, mas, caso seja comprovado que a reação dos oficiais foi exagerada, as responsabilidades serão apuradas. O militar acrescentou que, nesta segunda-feira, há 1.300 soldados no complexo, o mesmo efetivo desde o início da ocupação. O reforço policial ocorreu apenas no confronto.
Os moradores contam que o tumulto teve início após um grupo de dez soldados do Exército entrar num bar, onde muitos assistiam a um jogo, pedindo para abaixar o som. Ainda de acordo com moradores, os oficiais chegaram agindo com violência, usando armas como gás de pimenta. O episódio ocorreu a 50 metros da estação teleférica Itararé. O tumulto ganhou as ruas e só terminou com a chegada do reforço. O general afirmou que os oficiais foram ao bar para verificar denúncias de tráfico de drogas. No fim da manhã desta segunda, o clima na comunidade estava tranquilo. Existia uma manifestação programada para esta terça-feira, mas foi cancelada pelos moradores.
ATENÇÃO: a gravação tem muitos termos fortes e palavrões
Elaine de Moraes, de 16 anos, foi atingida por uma bala de borracha e atendida no Hospital Getúlio Vargas, na Penha. Ela levou pontos na parte interna da boca e nos lábios. Elaine passava pela rua no momento do confronto. As procuradoras da República Gisele Porto e Aline Caixeta irão ouvir também moradores para saber mais detalhes do incidente e investigar se houve excesso na atuação dos militares.
O MPF já investiga outra situação similar que aconteceu no dia 24 de julho na Vila Cruzeiro, quando militares usaram spray de pimenta e balas de borracha contra moradores que estavam em um bar. Desde o início da ocupação no Complexo do Alemão e na Vila Cruzeiro, o MPF acompanha a atuação dos militares. Em abril desse ano, o MPF realizou audiência pública para ouvir relatos de moradores sobre atuação do Exército nas comunidades. [se percebe que até mesmo na atuação do MPF há a nítida intenção de ouvir apenas os moradores; causa surpresa que sendo a ação das tropas da força terrestre no complexo de favelas uma operação militar, não haja a interferência – tanto de fiscalização preventiva quanto de eventual investigação, do MPM – Ministério Público Militar.]
Fonte: O Globo


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