O Islã radical ameaça a Líbia?
O paradeiro de Muammar Khadafi ainda é desconhecido, mas está bastante claro que são ínfimas as possibilidades de ele retomar seu poder na Líbia. Assim, o país começa a debater seu futuro e uma das dúvidas mais importantes é, como na Tunísia e no Egito, o papel que fundamentalistas islâmicos terão na Líbia pós-Khadafi.
Uma reportagem do jornal francês Le Figaro avalia que, pelo menos por enquanto, a possibilidade de islamistas tomarem o poder no país parece “bastante implausível”.
Os rebeldes que agora controlam Trípoli geralmente são organizados por origens geográficas, e não por organizações polícias e ideológicas. (…) Mesmo que gritem “Deus é grande” todo tempo, e mais ou menos sigam o jejum do Ramadã, vemos poucas orações. Suas roupas se inspiram no rock’n'roll em vez do Corão. Suas posições geralmente são completamente “pró-ocidentais”.
O Figaro nota, entretanto, que a nomeação de Abdel Hakim al-Hasidi (ou Belhaj ou al-Hajj) para chefiar o chamado Conselho Militar de Trípoli causou preocupações quanto ao real poderio dos fundamentalistas na Líbia. Al Hasidi é um ex-jihadista que lutou no Afeganistão e que comandou o Grupo de Luta Islâmico Líbio, que seria uma facção próxima da Al Qaeda.
Em reportagem publicada nesta quarta-feira, o jornal The New York Times afirma que a nomeação de Al Hasidi causou incômodo entre os rebeldes, pois ele é islamista e não proveniente do Oeste do país, cuja população considera que tem mais direito de nomear líderes, pois aguentou a pior parte das batalhas contra as forças de Khadafi.
Segundo o NYT, o presidente do Conselho Nacional de Transição (CNT), o governo rebelde da Líbia, Mustafa Abdel Jalil, levou Al Hasidi para uma reunião, no Catar, com membros da OTAN, para mostrar que, apesar de seu passado, “ele não representa uma ameça para a paz e a segurança internacionais”. Oficialmente, é esta a argumentação dos fundamentalistas líbios. Resta saber como será a atuação deles na realidade:
Os islamistas dizem que querem apenas uma chance de competir em uma democracia livre, e argumentam que são mais qualificados que os liberais para desarmar os rebeldes nas ruas. “Eles confiam mais em nós”, disse Alamin Belhaj, membro do CNT e líder da Irmandade Muçulmana na Líbia, acrescentando que muitos líbios temem que a revolução seria “roubado” pelos ricos, ocidentalizados e sempre expatriados liberais do conselho.

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