Nos próximos dias, o governo deve conseguir aprovar, no Congresso, seu projeto para a constituição de uma Comissão da Verdade. O que deveria ser motivo de comemoração para aqueles realmente preocupados com o legado da ditadura militar e com os crimes contra a humanidade cometidos neste período será, no entanto, razão para profundo sentimento de vergonha.
Pressionado pela Corte Interamericana de Justiça, que denunciou a situação aberrante do Brasil quanto à elucidação e punição dos crimes de tortura, sequestro, assassinato, estupro e ocultação de cadáveres perpetrados pelo Estado ilegal que vigorou durante a ditadura militar, o governo brasileiro precisava mostrar que fizera algo. No caso, "algo" significa uma Comissão da Verdade aprovada a toque de caixa, sem autonomia orçamentária, sem poder de julgar, com apenas sete membros que devem trabalhar por dois anos, sendo que comissões similares chegam a ter 200 pessoas. [lembrando que o fato dos sete membros da 'comissão da verdade' serem indicados pela presidente da República - uma ex-terrorista e ex-guerrilheira - é suficente para desmoralizar a tal comissão - que será, pela sua composição, extremamente parcial.
Para se pensar em imparcialidade da tal comissão, em isenção, o colegiado máximo da mesma poderia ter dez membros, sendo três indicados pela presidente da República, dois pelo Poder Judiciário, dois pelo Senado Federal e dois pela Câmara dos Deputados e um pelo Ministério Público, cabendo a presidência da Comissão ao indicado pelo MP, que em caso de empate poderia proferia o 'voto de qualidade'.]
Tal comissão terá representantes dos militares, ou seja, daqueles que serão investigados. [o ilustre articulista incorre em grave equívoco quando diz que os militares serão os investigados pela 'tal comissão'; a 'tal comissão' vai investigar os crimes cometidos no período militar - claro que ineptos como o 'vanucchi', 'tarso genro' e outros minúsculos vão tentar deturpar a finalidade da 'tal comissão', mas com certeza serão contidos - embora me reserve o direito de adotar em relação a 'tal comissão' a seguinte máxima:
- o projeto não serão votado; se votado, não será aprovado; se aprovado a 'tal comissão' não será instalada; e, se instalada, nada vai investigar.] Como se isso não bastasse, a fim de tirar o foco e não melindrar os que se locupletaram com a ditadura e que ainda dão o ar de sua graça na política nacional, ela investigará também crimes que porventura teriam ocorrido no período 1946-64. Algo mais próximo de uma piada de mau gosto. [e os crimes cometidos pelos porcos da esquerda, que sequestraram, que assaltaram, que mataram inocents, que justiçaram, não serão investigados?]
Um país que, na contramão do resto do mundo, tende a compreender exigências amplas de justiça como "revanchismo" não tem o direito de se indignar com a impunidade que se dissemina em vários setores da vida nacional. Aqueles que preferem nada saber sobre os crimes do passado ainda estão intelectualmente associados ao espírito do que procuram esquecer.
O povo brasileiro tem o direito de saber, por exemplo, que os aparelhos de tortura e assassinato foram pagos com dinheiro de empresas privadas, empreiteiras e multinacionais que hoje gastam fortunas em publicidade para falar de ética. Ele tem o direito de saber quem pagou e quanto. [o povo brasileiro também tem o direito de saber que o Franklin Martins sequestrou? que o porco do Diógenes do PM assassinou covardemente vítimas inocentes com o uso de explosivos]
Esta é, sem dúvida, a parte mais obscura da ditadura militar. Ou seja, espera-se de uma Comissão da Verdade que ela exponha, além dos crimes citados, o vínculo incestuoso entre militares e empresariado.
Vínculo este que ajuda a explicar o fato da ditadura militar ter sido um dos momentos de alta corrupção na história brasileira (basta lembrar casos como Capemi, Coroa Brastel, Lutfalla, Baumgarten, Tucuruí, Banco Econômico, Transamazônica, ponte Rio-Niterói, relatório Saraiva acusando de corrupção Delfim Netto, entre tantos outros).
Está na hora de perguntar, como faz um seminário hoje no Departamento de Filosofia da USP: Quanta verdade o Brasil suporta?
Fonte: Folha de São Paulo

0 comentários:
Postar um comentário