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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Salvo, temporariamente, pelo gongo

Suprema Corte suspende temporariamente pena de americano condenado à morte

A execução do americano Troy Davis, condenado pela morte de um policial nos anos 1980, foi suspensa temporariamente no último minuto para que a Suprema Corte analise o recurso apresentado pela defesa. O anúncio público, cinco minutos após a hora marcada para a execução, foi comemorada por cerca de 200 manifestantes que durante todo o dia se concentraram diante de uma penitenciária de Jackson, na Geórgia. A medida, no entanto, não significa que Troy Davis, de 42 anos, tenha se livrado da execução, já que uma decisão da Suprema Corte poderia sair a qualquer momento.

Horas antes desse novo apelo da defesa, o Tribunal Superior do Condado de Butts, na Geórgia, havia rejeitado o que acreditava-se ser o último recurso contra a execução. Troy Davis também teve negado o pedido para passar pelo detector de mentiras. Troy Davis, hoje com 42 anos, foi condenado à pena capital pela morte a tiros, em 1989, do policial Mark MacPhail. O caso atraiu grande atenção e gerou protestos em várias partes do mundo pela forma como foi conduzido.

Não há provas materiais que vinculem Davis ao crime. Das nove testemunhas usadas para condená-lo, sete voltaram atrás e alegaram coerção e intimidação por parte da polícia durante o depoimento. Seus advogados há anos afirmam que Davis teve a identidade confundida e que não é o verdadeiro culpado pela morte de MacPhail.

Entre as personalidades que apoiam a libertação estão os prêmios Nobel da Paz Desmond Tutu e Helen Prejean, que escreveu "Dead Man Walking", um livro sobre um prisioneiro condenado à morte, a Anistia Internacional, o ex-presidente dos EUA Jimmy Carter e o Papa Bento XVI. - Estamos pedindo para qualquer pessoa que tenha algum tipo de poder que ajude a impedir que esta enorme injustiça (a execução de Davis) ocorra - pediu nesta quarta-feira Laura Moye, diretora da Anistia Internacional nos EUA.

Muitos alegam que Davis foi vítima de um julgamento apressado, pressionado pelos próprios policiais, em busca de vingança pela morte de um de seus homens. Quiana Glover, uma das testemunhas que refez seu depoimento, se uniu ao grupo pela libertação de Davis e confirmou que "não há evidências contra ele".

Pressão internacional

Ainda nesta tarde, a União Europeia voltou a pedir que o estado da Geórgia cancele a execução. Segundo Renate Wohlwend, da Assembleia Parlamentária da Europa, "levar a sentença a cabo seria um erro terrível". O Ministério de Relações Exteriores da França também pediu a suspensão da execução, dizendo que "ao executar um prisioneiro quando há sérias dúvidas sobre sua culpa, pode-se cometer um erro irreparável".

Já três especialistas em direitos humanos da ONU - Christof Heyns, Gabriela Knaul e Juan Mendez - pediram a intervenção do presidente Obama, baseados em "sérias inconsistências" nos testemunhos.

Fonte: Associated Press

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