Europeus discutem pedido da Autoridade Nacional Palestina nesta terça-feira
Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia (UE) se reúnem nesta terça-feira (20/9) em Nova York, na véspera da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), para discutir o processo de paz no Oriente Médio. Em pauta, a reivindicação do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas. Ele quer que a ONU reconheça o Estado palestino, segundo as fronteiras estabelecidas antes da guerra de 1967.
Abbas reiterou que ratificará o pedido aos membros da ONU, porém os governos dos Estados Unidos e de Israel já se manifestaram contra a proposta. O tema deve ser submetido à votação no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para ser aprovado, o pedido tem de contar com nove votos favoráveis, do total de 15. [o tema será submetido diretamente ao exame da Assembléia-Geral da ONU que poderá aprovar por votos favoráveis de 2/3 dos países membros. Não há interferência do Conselho de Segurança da ONU. A oposição dos EUA, de outros países membros permanente do CS-ONU e de Israel não tem nenhum valor – exceto o direito de votarem contra na hora que a AG-ONU deliberar sobre a matéria. Por disporem de grande poder bélico, os membros permanentes do CS-ONU podem se recusar a acatar a decisão soberana da Assembléia Geral e sepultar de vez com a ONU o que só interessaria a Israel, que sem o apoio dos EUA não poderá tentar tal golpe.]
Ainda não há texto concluído sobre o tema a ser analisado pelos chanceleres, segundo o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Portas. A reunião hoje será conduzida pela chefe da Diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton.
[Destacando:
1. A Assembléia-Geral é a única entidade das Nações Unidas com a prerrogativa de aceitar ou vetar uma solicitação de inclusão de um estado soberano.
2. O CS não pode fazer isso sem a apreciação de TODOS os países-membros. Casos excepcionais de acolhimento de um novo estado-membro pelo CS já ocorreram (no caso da crise da Yugoslávia), mas eles nessas ocasiões os aceitos não entraram com direitos plenos dos estados-membros, só os adquirindo depois da ratificação da Assembléia-Geral.
3. Em caso de aceitação da Palestina (o que – para desespero de EUA e Israel é líquido e certo), ela deve adquirir status de membro pleno imediatamente.
Observação: Independente da opinião de cada um (ser simpático aos israelitas ou aos palestinos é decisão de foro íntimo e pessoal) é bom que todos aqui atentem para os detalhes do processo de divulgação do noticiário internacional, que é ainda pior do que a mídia brasileira. As agências de notícia internacionais são poucas (conta-se com uma das mãos) e, portanto, a capacidade de disseminação de notícias tendenciosas ou com viés distorcido é muito favorecida pela extrema concentração de mídias em grupos corporativos.
Vou citar só um exemplo recente de distorção pesada: o caso da Líbia que, como membro pleno, não poderia JAMAIS ser atacado por forças da OTAN (francesas, inglesas, americanas, todos também países-membros das Nações Unidas) sem o aval da Assembléia-Geral da ONU - e somente após esgotarem-se todos os processos via canais diplomáticos e mediação internacional. É uma inferência dentro dos assuntos internos de um estado-membro por outros estados-membros, o que a Carta Constitutiva da ONU proíbe, aponta como arbitrário e totalmente ilegal.
Adendo do Blog da UNR: o que mais desmoraliza a ONU é que aceitou passivamente que o seu Conselho de Segurança se arvorasse em Assembléia Geral e autorizasse que a OTAN usasse a força para proteger civis líbios.
Só que o uso da força pela OTAN, buscando ‘proteger’ os civis líbios causou mais mortes dos destinatários da proteção do que as forças do Kadhafi.
Não satisfeita em sua sanha criminosa a OTAN decidiu participar abertamente, ao lado dos rebeldes, em ações contra as forças de Kadhafi.
Por essas e outras é que a ONU passa por um processo de desmoralização que faz o sofrido pela Liga das Nações lembrar uma mera brincadeira.]
Fonte: AFP, Agência Brasil, Blog do Nassif e Reuters

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