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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Tensão aumenta na Cisjordânia e gás lacrimogêneo e fuzis são usados por soldados israelenses contra civis palestinos armados com pedras

Violência na Cisjordânia aumenta no dia de Abbas e Netanyahu na ONU

Segurança reforçada e nível de alerta elevado em Israel não impediram confrontos. Um palestino morreu

Pouco antes de Abbas discursar na ONU, confronto entre palestinos e soldados de Israel deixa um morto

A segurança reforçada e o nível de alerta elevado em Israel não impediram o surgimento de confrontos nesta sexta-feira em Jerusalém Oriental e na Cisjordânia, onde a tensão é alta à espera dos discursos de Mahmoud Abbas e Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral da ONU. Um palestino foi morto em confronto com soldados israelenses e colonos judeus em Qursa, na Cisjordânia. O incidente começou quando 200 colonos queimaram árvores no vilarejo, sendo atacados por moradores com pedradas. Militares chegaram então ao local, onde usaram bombas de gás para tentar controlar a situação.

Não pode ser olvidado que o arsenal portado pelos soldados é para enfrentar civis palestinos armados com pedras

Policiais israelenses tomam posições durante protesto de palestinos no posto de controle de Qalandiya, perto de Ramallah, na Cisjordânia - Reuters

Segundo um médico, o palestino morto foi atingido no pescoço. Identificado como Issam Badran, ele tinha 35 anos. [o palestino não foi atingido com uma pedrada no pescoço e sim com um tiro e armas só eram portadas pelos soldados israelenses que em um gesto de extrema ‘coragem’, só igualado pela covardia dos colonos judeus, atiraram contra civis armados com pedras.]

Palestino é preso por forças israelenses em Jerusalém - AFP

É grande o temor de que o pedido de reconhecimento do Estado palestino que deve ser apresentado pelo presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, desencadeie mais manifestações e termine em grande violência. Diante da tensão, as forças de segurança de Israel mobilizaram 22 mil agentes e elevaram o nível de alerta especial para 3C - apenas um abaixo do máximo. Uma das maiores preocupações das Forças de Defesa de Israel eram os ataques de colonos israelenses. - Estamos em contato com rabinos e lideranças - disse uma autoridade israelense ao jornal "Haaretz".

O temor maior é com o fim da tarde, quando por volta das 19h (13h no horário de Brasília) Abbas deve apresentar o pedido de reconhecimento do Estado palestino nas Nações Unidas, em Nova York. Pouco depois, será o discurso do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. O nível de alerta vai continuar elevado pelo menos até a manhã de sábado. O movimento islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza, declarou nesta sexta "um dia de fúria", mas Israel acredita que o grupo não tem infraestrutura suficiente para provocar distúrbios na Cisjordânia.

Na região, na passagem de Qalandiya, perto de Ramallah, palestinos também atiraram pedras nas forças israelenses, que responderam com bombas de gás para dispersar o grupo. Ainda na Cisjordânia, houve confrontos em Bilin, e em Nabi Saleh, manifestantes carregaram uma cadeira azul simbolizando o assento que será pedido na ONU. Eles também queimaram bandeiras de Israel e fotos do presidente americano, Barack Obama, que vem insistindo no diálogo entre os dois lados antes do reconhecimento do Estado palestino.

Em outro incidente, jovens palestinos atiraram pedras em forças de segurança no bairro de Ras Al-Amud, em Jerusalém.

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Clique também em: A decisão do então presidente egípcio Gamal Abdel Nasser de nacionalizar o canal de Suez levou pânico às autoridades britânicas e francesas, que até aquele momento detinham o controle da construção. Os dois países se uniram a Israel e atacaram o Egito.

Povo palestino não implora por Estado, critica líder do Hamas

Palestinos aguardam ansiosos o discurso de Abbas, embora a resposta do pedido ao Conselho de Segurança da ONU não saia nesta sexta. - Vou ouvir o discurso do Abbas porque vai nos dizer sobre nosso futuro, nosso destino, e estamos esperando muito dele, para declarar nosso Estado - disse Khalil Jaberi, estudante universitário de 21 anos.

Em algumas vilas, telões foram colocados em praças para acompanhar o discurso. Mas os palestinos continuam divididos. Em Gaza, o primeiro-ministro do Hamas, Ismail Haniyeh, disse nesta sexta que Abbas estava abrindo mão dos direitos palestinos ao pedir o reconhecimento do Estado nas fronteiras anteriores a 1967. - O povo palestino não implora ao mundo por um Estado, e o Estado não pode ser criado por decisões e iniciativas - disse Haniyeh. - Estados liberam suas terras primeiro e depois o corpo político pode ser estabelecido.

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No campo diplomático, o Reino Unido está se afastando da França em relação à posição no Conselho Segurança, onde os dois têm direito de veto, assim como os outros membros permanentes (EUA, que devem vetar China e Rússia, que devem apoiar o pedido palestino). O premier britânico, David Cameron, não endossou em seu discurso na Assembleia Geral o plano do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de convencer os palestinos a pedirem status de Estado observador.

Fonte: AFP - Reuters

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