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quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aos revanchistas: sequer pensem em associar essa matéria com a aprovação da tal ‘comissão da verdade’; o Brasil não é a Argentina

O circo dos ‘hermanos’

Justiça argentina condena à prisão perpétua símbolo da repressão na ditadura

Conhecido como "anjo loiro da morte", o ex-oficial da Marinha, Alfredo Astiz foi responsabilizado pelo desaparecimento e morte de duas freiras francesas, uma jovem sueca e três Mães da Praça de Maio.

Outros 11 militares receberam a mesma sentença

Um tribunal de Buenos Aires condenou à prisão perpétua o ex-oficial Alfredo Astiz, de 59 anos, por crimes contra a humanidade cometidos na antiga Escola de Mecânica da Marinha (Esma), a maior prisão clandestina da ditadura argentina (1976-1983). Conhecido como "anjo loiro da morte", Astiz foi capitão da Marinha argentina e é um dos maiores símbolos da repressão do país durante a ditadura. Ele foi considerado culpado pelo desaparecimento das freiras francesas Léonie Duquet e Alice Domon e de três fundadoras da ONG Mães da Praça de Maio, além da morte de uma jovem sueca.

O chamado "julgamento da Esma" determinou a mesma sentença para outros 11 militares receberam a mesma condenação de Astiz, entre eles Jorge Eduardo Acosta, conhecido como "El Tigre", ex-capitão da Marinha argentina e chefe do temido Grupo de Tarefas da Esma, e o ex-capitão Ricardo Miguel Cavallo, conhecido como "Serpico", detido em agosto de 2000 no México e extraditado para a Argentina apenas em 2008. Cerca de 200 testemunhas prestaram depoimento durante 22 meses neste processo histórico, que julgou ao todo 18 réus. Dois receberam pena de 25 anos de cadeia; um foi sentenciado a 20 anos; outro a 18; e apenas dois foram absolvidos.

Centenas de pessoas convocadas por organizações humanitárias comemoram em frente ao tribunal o anúncio das sentenças. A maior expectativa era em relação à condenação de Astiz. Ele se infiltrou no grupo das Mães da Praça de Maio, que luta por reparação aos filhos e demais parentes dos desaparecidos durante a ditadura, para organizar o sequestro de Azucen Villaflor, uma das fundadoras da entidade.

Em 1990, Astiz foi condenado à revelia por esse crime em Paris, e desde então não saiu da Argentina. O governo da Itália pediu sua extradição em 2001, após condená-lo pelo desaparecimento de cidadãos italianos. O "anjo loiro" foi beneficiado pelas leis Obediência Devida e Ponto Final, que dava anistia a militares de menor escalão. Mas o Congresso derrubou essas leis em 2003 e reabriu a possibilidade de julgar os repressores.

Hoje um museu e centro cultural, a Esma continua a ter uma imagem sombria para os argentinos. Dos cerca de 4.500 opositores do regime levados para lá, apenas 150 sobreviveram. A maioria saía da Esma para os chamados voos da morte, em que os prisioneiros eram dopados e jogados de aviões no meio do Rio da Prata. [um julgamento político, uma palhaçada ao estilo ‘kirchner’, já que nenhuma lei argentina atribui a pena de prisão perpétua para os delitos supostamente cometidos pelo capitão Astiz.]

Fonte: ÉPOCA

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