Cão farejador ficou doente depois da operação
A Polícia Federal acionou a Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) para auxiliar nas investigações sobre os 530 quilos de cocaína pura que seriam embarcados do Porto de Suape, em Pernambuco, para a África e, em seguida, para a Europa. A droga, que estava distribuída em 3.500 sacos de gesso espalhados por cinco contêineres, foi apreendida pela PF e Receita Federal neste fim de semana. Os investigadores acreditam que o crime tem características de cartel internacional de entorpecentes por causa da logística utilizada para o embarque da mercadoria e da alta capacidade financeira da transação – caso toda a droga fosse vendida, renderia 24 milhões de dólares aos traficantes.
Em coletiva à imprensa nesta segunda-feira, o superintendente da Polícia Federal em Pernambuco, Marlon Jefferson de Almeida, afirmou que a cocaína pode ter sido colocada na carga de gesso depois de sua saída do polo gesseiro do Araripe, no sertão pernambucano. "Há indícios de que os sacos de gesso foram reabertos, o que sugere que as embalagens com cocaína podem ter sido enxertadas na carga depois de sua saída da fábrica", afirmou.
Cocaína apreendida no Porto de Suape, em Pernambuco (Divulgação/Polícia Federal)
Segundo Almeida, o inquérito policial sobre a maior apreensão de cocaína da história do Nordeste já foi instaurado. "Vamos ouvir desde o motorista que chegou ao porto de Suape com a carga até os representantes da empresa produtora e embaladora que iria exportar o gesso", adiantou.
O superintendente regional da Receita Federal, Luiz Fernando Teixeira Nunes, também presente à entrevista, disse que a apreensão foi consequência do serviço de inteligência do órgão, que percebeu a incompatibilidade entre a carga e a empresa exportadora. Segundo ele, o faturamento registrado da companhia era igual a zero. "A partir daí informamos a Polícia Federal", observou.
Além dos 3.500 apreendidos, existem mais 3.470 sacos de gesso que também podem estar recheados com a droga. Em cada saco de 40 quilos havia 15 pacotes com um pó branco parecido com o material utilizado em construções, mas que, depois de análise técnica, foi confirmado como sendo cocaína.
Farejador - Quando os agentes encontraram os pacotes de gesso, o cão farejador Nauê, da raça pastor alemão, ajudou a detectar a droga. De acordo com a PF, depois da operação, Nauê ficou doente por ter farejado uma grande quantidade de gesso. "Pode ter sido uma alergia ao gesso", disse Marlon Jefferson de Almeida. O cão foi levado para o veterinário e deve receber alta nesta terça. A PF deve receber, ainda neste ano, um segundo cachorro capaz de farejar entorpecentes.
Com: Agência Estado


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