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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Equipes táticas da PM deixarão quartéis de áreas pacificadas para reforçar patrulhamento nas ruas

Equipes táticas da PM serão retiradas das favelas pacificadas e utilizadas no policiamento de rua

Os Grupamentos de Ações Táticas (GATs) - unidades de elite dos batalhões que se dedicam ao enfrentamento de ações criminosas especiais - deixarão de existir em quartéis de regiões pacificadas, onde estão sendo considerados desnecessários pelo comando da Polícia Militar. Os GATs do 6º BPM (Tijuca), do 2º BPM (Botafogo) e do 19º BPM (Copacabana), por exemplo, estão na mira de um estudo em andamento na PM para otimizar o policiamento nas ruas. Os cinco policiais que compõem cada GAT, usando uma caminhonete com armamento pesado, serão divididos e passarão a patrulhar as ruas, como fazem as duplas de agentes que utilizam Gols no seu trabalho.[uma medida absurda, midiática e cosmética: unidades de ação tática não devem ser utilizadas em policiamento de rua, de rotina; o uso de tais unidades só deve ocorrer em situações especiais e o seu uso rotineiro reduz sua ação no que concerne ao impacto.

A retirada das equipes táticas das favelas que estão controladas pelas UPPs é aceitável e devem ser aquarteladas e só atuarem em situação especiais.]

Quem falou da ideia ao GLOBO foi o comandante geral da Polícia Militar, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, para quem bairros com o maior número de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) - como os da Zona Sul, e a Tijuca, na Zona Norte - já não têm necessidade desse tipo de policiamento especializado. Hoje, a cidade conta com 17 UPPs, que abrangem 64 comunidades, anteriormente dominadas por traficantes. Nas comunidades com UPPs existem os Grupamentos Táticos de Polícia de Proximidade (GTPPs), que fazem operações similares às dos GATs tradicionais, mas com foco na pacificação. - Não há mais razão da existência do GAT naquelas regiões. Vamos empregar os policiais dos grupamentos de ações táticas no policiamento ostensivo. Mas ainda não há uma data para pôr a ideia em prática - contou o coronel Erir Costa Filho.

Os integrantes dos GATs costumam ficar aquartelados à espera de alguma ação criminosa que necessite de uma resposta rápida e enérgica. Às vezes, vão para as ruas em ações proativas. Nos bastidores da PM, comenta-se que o assassinato da juíza Patrícia Acioli, praticado por integrantes do GAT do 7º BPM (São Gonçalo), teria apressado o estudo para extinguir os grupos quando não necessários. A juíza foi morta em 11 de setembro com 21 tiros na porta de sua casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói.

O cientista político e professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), coronel Jorge da Silva, disse achar correta a ideia do coronel Erir. - Acho que ele (o comandante da PM) está correto. Não se pode deixar a tropa aquartelada esperando por ações especiais. Com os policiais do GAT indo policiar as ruas, mesmo se acontecer alguma coisa, se houver uma boa coordenação, um plano de chamada, esta tropa poderá ser reunida tranquilamente, seja através de radiotransmissores ou por telefone celular - analisou o professor, que já foi chefe do Estado Maior Geral da PM e secretário estadual de Direitos Humanos.

A presidente da Associação de Moradores de Botafogo, Regina Chiaradia, também elogiou a iniciativa: - Acho ótimo, pois o que a gente está mais precisando é do reforço do policiamento de rotina. Deixar um grupo de elite esperando para quando se precisar dele não faz sentido.

A ideia vem ao encontro ao plano do comando da PM de remodelar a rotina da corporação, eliminando o conceito de aquartelamento. Esse anúncio foi feito na última quinta-feira, pelo governador Sérgio Cabral. Ele argumentou que este é um conceito antiquado que serve apenas para as unidades especiais da PM e para as Forças Armadas, que não têm a incumbência de trabalhar na segurança pública como a Polícia Militar. - Este conceito vale para as Forças Armadas, cujas tropas ficam aquarteladas porque não é função delas garantir a segurança pública. A exceção para nós é a Força de Paz no Complexo do Alemão - disse Cabral durante formatura de 499 policiais no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da PM, em Sulacap.

Fonte: O Globo

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