Pesquisa personalizada

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

INsegurança Pública no DF – aumenta em 30% o número de sequestros relâmpagos

Número de sequestros relâmpagos cresceu 30% neste ano no DF

Os sequestros relâmpagos continuam em ascensão na capital do país. A Secretaria de Segurança Pública contabilizou 455 casos somente nos primeiros nove meses de 2011 — em média, há uma ocorrência a cada 14 horas. O índice é 27,8% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado. Um dos ataques mais recentes aconteceu na noite da última segunda-feira, quando uma senhora de 69 anos acabou alvo de dois criminosos na 106 Norte. A vítima ficou sob a mira de um revólver por cerca de 40 minutos. Foi liberada na DF-001, nas proximidades de Santa Maria. Em Sobradinho, um estudante de 23 anos também sofreu um roubo com restrição de liberdade no mesmo dia.

A vítima da Asa Norte, uma assistente social aposentada, sofreu a abordagem dos bandidos por volta das 19h30. Ela chegava ao prédio da filha. Dois homens, um deles armado, se aproximaram no momento em que ela abriu a porta do veículo, um Honda Fit. “Eles não sabiam andar pelo Plano (Piloto) e eu fui guiando. No caminho, passamos por vários carros de polícia. Tive vontade de gritar, mas eles me mandaram ficar quieta. Não dá para descrever o pânico que eu passei”, contou. Alguns moradores viram o sequestro e ligaram para a polícia.

Insegurança: uma assistente social de 69 anos viveu momentos de pânico ao ser levada por criminosos armados na 106 Norte – lembro que a 106 Norte não fica na periferia do DF; se localiza no Plano Piloto, é área nobre de Brasília e dista menos de 4 km do Palácio do Planalto

Mapeamento
Ao longo do trajeto, a mulher disse que pensou apenas nos cinco filhos. “Eu estava muito nervosa, mas me segurei neles e na minha mãe, que faleceu há pouco tempo, e consegui manter a calma”, explicou. Segundo ela, os criminosos tinham boa aparência e fumaram maconha no veículo. “Mas eles não me agrediram. Ofereceram até um cigarro. Falavam que precisavam só do carro. O que dirigia recebeu duas ligações no caminho e falou: ‘Já estamos chegando’”, revelou. Depois de abandonada pela dupla, a vítima caminhou por cerca de 500m até conseguir ajuda. “Fui até o posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-040 e liguei para a minha família. Quando eles chegaram lá, eu desabei.”

A investigação do sequestro relâmpago ficou sob responsabilidade da 2ª Delegacia de Polícia, na Asa Norte. O retrato falado dos suspeitos, no entanto, só poderá ser confeccionado após o fim da paralisação da Polícia Civil do DF, previsto para a manhã de quinta-feira. Para evitar que os vizinhos sejam alvos de outros criminosos, a família da mulher sequestrada divulgou uma carta aos moradores (veja fac-símile). “Queremos que as pessoas tenham conhecimento do que aconteceu com a minha mãe e fiquem mais atentas ao chegar à quadra”, contou uma das filhas, de 31 anos.

De acordo com o subsecretário de Operações da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, coronel Jooziel de Melo Freire, o órgão fez um mapeamento dos pontos mais críticos do DF. A 106 Norte, segundo o oficial, não aparece como área de risco. “Lá, não temos uma concentração criminal”, afirmou. Em relação ao aumento considerável nos registros de sequestros relâmpagos na capital do país, o subsecretário garantiu que existe um plano de combate. “Aumentamos o efetivo, aplicamos policiamento em todas as áreas que têm mostrado vulnerabilidade e fizemos muitas prisões.” Apesar disso, a frequência com que acontece o crime continua a assustar a população. [senhor Coronel: peço vênia para dizer o óbvio; determinados tipos de crimes não escolhem regiões para ocorrerem nem tão pouco o fato de uma área ser tranquila, bucólica, significa garantia de que aquele crime não ocorrerá. Por ser uma área residencial, com pouco trânsito de pedestres no interior da quadra é líquido e certo que ‘punguistas’ não atuem com a frequência que atuam em área de grande circulação de pessoas.

Já o sequestro relâmpago só não ocorre onde existe um policiamento ostensivo e atuante.

Essa escala 12 x 36 da PM-DF é a escala mais favorável ao aumento da criminalidade. Não pretendo ensinar nenhum policial do DF a trabalharcom certeza são bem mais competentes do que sou. Mas, precisam entender que esta escala tem que ser flexibilizada, PM cumprir horário de funcionário público ou de médico plantonista – uma parte das 7h às 19h e outra das 19h às 7h – não vai funcionar.

Em alguns horários quanto mais policiais nas ruas, melhor, mais seguroalgo que leva a se pensar em uma escala de 6h x24h – policiais a pé, preferencialmente; já em outros horários o efetivo pode ser reduzido em número, mas com opção pelo uso de viaturas – carros e motos.

[O sequestro relâmpago ocorre em qualquer lugar em que haja dois ou mais bandidos e alguém desça de um carro – quando mais valioso o carro, melhor – sem tomar precauções, ou mesmo sem condições para tanto, e não haja policiamento.]

Reconhecidos
Duas horas depois do sequestro relâmpago registrado na Asa Norte, um estudante de 23 anos também acabou levado por bandidos na Quadra 6 de Sobradinho. Por volta das 21h30, o jovem parou em um comércio da região e foi abordado por três criminosos ao retornar ao Fiat Palio dele. A vítima dirigiu por algum tempo, com os suspeitos no veículo, mas depois foi obrigada a se sentar no banco traseiro. Um segundo carro deu cobertura ao trio. O estudante foi abandonado após cerca de meia hora em poder dos bandidos, em uma pista localizada nas proximidades do Paranoá.

Ontem à tarde, policiais militares do 14º Batalhão de Polícia Militar, em Planaltina, localizaram o veículo roubado pelos sequestradores, no Setor de Oficinas da cidade. Quatro pessoas, entre elas dois adultos e dois adolescentes de 16 anos, estavam próximas ao Fiat e foram encaminhadas à 31ª DP. Na unidade policial, o estudante reconheceu os dois maiores de 18 anos como os supostos responsáveis pelo crime. O revólver calibre .38 usado para render o jovem estava escondido no carro.

"O meu medo era grande"
“Eu combinei de chegar à casa da minha filha, na Asa Norte, às 19h, mas fiquei assistindo à novela e me atrasei. Cheguei meia hora mais tarde. Foi o tempo para eles estarem me esperando. Desliguei o carro e, quando abri a porta, um deles colocou a arma na minha cabeça e me mandou passar para o lado do passageiro. Fiquei totalmente em pânico e ainda precisei ensinar o que assumiu a direção a dirigir o carro automático. Assim que entramos no carro, o que ficou no banco traseiro colocou a arma na minha cabeça, mas depois tirou. Falei que eu tinha pressão alta e pedi que me deixassem em uma parada. Eu conversei muito e eles falaram que, por isso, era ruim sequestrar mulher. Foram pegando o caminho para sair de Brasília e, quanto mais se distanciavam, mais eu ficava desesperada. Eles falavam que era para eu dar graças a Deus que eles eram bonzinhos e só queriam o carro. O meu medo era tão grande que as minhas mãos e os meus pés ficaram dormentes. A gente nunca pensa que isso pode acontecer com a gente.”

Fonte: Correio Braziliense

0 comentários: