Israel teme que Irã copie seu modelo de “ambiguidade nuclear”
Não é segredo que o governo de Israel é um dos que mais teme o programa nuclear do Irã, que o ocidente acusa de ter fins bélicos, mas que Teerã jura ser pacífico. Há anos, o Irã tem, ao mesmo tempo, negado a ambição de obter um arsenal nuclear e desenvolvido novas tecnologias e equipamentos que indicam a busca por armas nucleares. Segundo reportagem do jornal Jerusalem Post, Israel teme que este tipo de prática seja o prenúncio de que o Irã vai copiar sua política de ambiguidade nuclear.
Israel está cada vez mais preocupado que a República Islâmica vá adotar uma política de ambiguidade, similar à que Israel vem mantendo sobre sua alegada capacidade militar. “A possibilidade de que o Irã adotaria esta política está crescendo”, disse um oficial graduado do governo envolvido em assuntos de Defesa. Até hoje, quando questionado sobre armas nucleares, qualquer membro do governo de Israel não confirma que o país possui esse tipo de armamento, mas também não nega a informação. É uma estratégia para evitar que o país seja condenado por não cumprir o Tratado de Não-Proliferação Nuclear e de dissuadir rivais regionais, como o Irã, de atacar Israel.
De acordo com o JPost, Israel acredita que o Irã está acumulando uma grande quantidade de urânio pouco enriquecido, que poderia ser rapidamente elevado a 90% (o necessário para o uso bélico) caso Teerã decidisse assim. Se essa for a decisão do Irã, o país poderia continuar desenvolvendo suas capacidades nucleares, e até um arsenal nuclear, sem ser alvo de sanções ou ações militares para evitar isso.
Ainda que a possibilidade de armas nucleares serem usadas seja remota, ainda mais em um confronto entre países próximos, como é o caso de Irã e Israel, se o Irã tiver sucesso ao se tornar uma “potência nuclear ambígua”, se tornaria um desafio regional ainda maior à posição de superioridade militar que Israel desfruta hoje em dia. No cenário mais temido por Israel – o de uma nova guerra contra seus vizinhos árabes – este equilíbrio de poder nuclear na região poderia ser catastrófico.
Enquanto isto não ocorre, Israel continua buscando reforçar sua parceria com o maior aliado, os Estados Unidos. Nesta segunda-feira, os ministros da Defesa dos dois países, Leon Panetta e Ehud Barak , se encontraram para debater como Israel pode manter sua superioridade qualitativa no Oriente Médio no que diz respeito a armamentos convencionais.

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