Clique e veja albúm de família de Kadhafi
Diante dos rumores, o primeiro-ministro do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mahmoud Jibril, resolveu ir a público já durante a madrugada para dar a versão oficial. Segundo ele, Kadafi realmente estava vivo e ferido quando foi capturado, mas morreu só minutos antes de chegar ao hospital ao ser baleado na cabeça em meio a um tiroteio entre kadafistas e opositores. - Kadafi foi pego sem resistência. Quando começamos a levá-lo, ele levou um tiro no braço, e então o colocamos na caminhonete. Já com o carro em movimento ele foi novamente baleado, desta vez na cabeça - explica Jibril. - O legista não soube dizer se o tiro foi dado por forças revolucionárias ou kadafistas.
A rede árabe al-Jazeera mostrou imagens de Kadafi vivo, mas sangrando muito, quando era levado por homens armados em Sirta. O canal também exibiu cenas do ditador com um aparente tiro na cabeça, cercado por opositores que disparavam armas automáticas para o alto. Em um terceiro vídeo, colocado no YouTube, homens armados parecem comemorar em torno de Kadafi já morto. Dois filhos de Kadafi - Mutassim e Saif al-Islam - também teriam sido mortos, em circunstâncias não reveladas, segundo a rede al-Arabiya. O chefe de inteligência do regime do ditador, Abdullah al-Senussi, foi morto em Sirta, de acordo com Anees al Sharif, porta-voz do CNT em Trípoli. Sobre Kadafi, uma fonte do conselho afirmou que ele realmente foi executado. - Eles o capturaram vivo e, enquanto ele era levado, eles o agrediram e depois o mataram - afirmou a fonte, segundo a agência Reuters. - Ele poderia estar resistindo.
O ditador teria sido atingido também por um ataque aéreo da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mas a aliança militar não confirma a informação. O coronel Roland Lavoie, da Otan, informou apenas que aviões da aliança atacaram dois veículos militares que faziam parte de um comboio perto de Sirta. Há outras versões. Segundo um combatente, durante a fuga, ele entrou em uma manilha e, ao ser encontrado, pediu para que não atirassem. O mesmo homem mostrou uma pistola folheada a ouro que estaria com Kadafi. Ele teria sido morto em seguida por um combatente de 18 anos, que usou sua arma dourada.
Outra possível descrição, que junta as duas versões, sugere que Kadafi tentou fugir durante a madrugada em um comboio de veículos. No entanto, ele teria sido forçado a parar por conta do ataque da Otan. Possivelmente três ou quatro horas depois, ele teria sido capturado por combatentes do CNT em uma manilha e foi morto em seguida. A Anistia Internacional pediu uma investigação independente sobre a morte do ditador. A morte de Kadafi, que pôs fim de vez a um regime que já durava 42 anos, foi confirmada no início da tarde (hora de Brasília) por Jibril. - Estávamos esperando por esse momento há muito tempo. Muamar Kadafi foi morto - afirmou Jibril, em entrevista coletiva em Trípoli.
Combatente mostra duto onde Kadafi teria sido encontrado - Reuters
O corpo do ditador foi levado para uma mesquita na cidade líbia de Misurata, onde ele deverá ser enterrado na sexta-feira, depois da retirada de material para exame de DNA. Segundo a al-Arabiya, o local do enterro não será revelado. TVs mostraram um carro aberto levando o corpo por Misurata. No caminho, líbios gritavam "o sangue dos mártires não será em vão". Buzinas de carros ecoaram em Trípoli e na cidade de Benghazi, berço da rebelião contra Kadafi, enquanto moradores tomaram as ruas em comemoração.O comandante do CNT em Sirta, Abdel Majid, afirmou que o chefe das forças de Kadafi, Abu Bakr, também foi capturado após a tomada de Sirta, cidade natal do ditador e o último grande bastião das tropas ainda leais a ele, depois de oito meses de conflito. Já Mussa Ibrahim, ex-porta-voz de Kadafi, teria sido capturado perto de Sirta. - Houve muitos disparos contra seu grupo e ele morreu - afirmou Majid, sobre o ex-ditador.
Procurado pela Interpol sob um pedido de prisão do Tribunal Penal Internacional, o ditador de 69 anos tinha paradeiro desconhecido desde a tomada de Trípoli, há quase dois meses. Kadafi desafiou as diversas tentativas de sua captura, debochando de seus inimigos com inúmeras gravações de áudio. Especulava-se sobre uma possível fuga para o Níger ou para a Argélia. Alguns ainda acreditavam que o ditador, que prometia morrer como mártir na Líbia, estava em um bunker no país. O CNT prometia julgá-lo, caso o ditador fosse capturado vivo. - Esse é o dia da real libertação. Nós falávamos sério sobre dar a ele um julgamento justo. Mas parece que Deus teve outra vontade - afirmou o ministro da Informação do governo interino do CNT.
Combatentes comemoramOs combatentes do CNT, que chegaram a negociar uma rendição das tropas leais a Kadafi, dispararam tiros para o ar, lançaram armas para o alto e cantaram o hino nacional em comemoração à queda da cidade do ditador, que passou 42 anos no poder. Na praça central de Sirta, parte dos esfarrapados soldados também queimou bandeiras verdes da era Kadafi. - Sirta foi liberada. Não há mais forças de Kadafi - afirmou o coronel Yunus Al Abdali, chefe de operações do CNT na parte leste da cidade, antes da divulgação de informações sobre a morte de Kadafi. - Estamos agora atrás dos seus soldados que estão tentando fugir.
Segundo testemunhas, a ofensiva final para a tomada da cidade começou às 8h (hora local) e durou cerca de 90 minutos. Pouco antes, cerca de cinco carros com partidários de Kadafi tentaram deixar Sirta, mas todos foram mortos pelos revolucionários. Após o confronto final, os combatentes do CNT começaram a entrar em casas e prédios a procura de soldados de Kadafi que pudessem estar escondidos. Alguns dos milhares de moradores que fugiram da cidade durante o cerco que durou semanas começaram a voltar para casa. Parte deles denunciou saques a suas casas. Depois da tomada de Trípoli, em agosto, e da recente queda de Bani Walid, outro bastião dos kadafistas, restava ao CNT conquistar Sirta, por onde especula-se que Kadafi tenha passado depois de fugir da capital. O conselho rebelde, que já governa interinamente parte do país, anunciara que esperava apenas a dominação de toda a Líbia para dar início à construção de um novo governo.




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