A situação da Líbia após a morte de Kadafi, na opinião de especialistas
A morte de Muamar Kadafi na quinta-feira encerrou uma ditadura de 42 anos e marca o início de uma nova era na Líbia. A seguir, especialistas analisam as mudanças no país:LARBI SADIKI, cientista político da Universidade de Exeter, Reino Unido: "A verdadeira batalha começa agora a reinar entre os revolucionários e a se integrar a eles debaixo do guarda-chuva do Estado, no Exército e na polícia. Lá permanece o maior desafio de todos: a reconstrução e a luta por um bom governo e um desenvolvimento equitativo e sustentável. Essas são ótimas notícias, mas muito trabalho está por vir, incluindo se reunir com os outros líbios diante de novos temas, como elaboração da Constituição, desenvolvimento institucional e partilha do poder."
GEOFF PORTER, consultor americano, especialista em Líbia: "Enquanto a morte de Kadafi terá um impacto sobre o sistema de segurança da Líbia, o Conselho Nacional de Transição (CNT) ainda enfrenta significativos obstáculos políticos. A morte de Kadafi não acaba com os desafios que o CNT tem para determinar a composição de um novo governo e a alocação de carteiras por região, orientação religiosa e filiação ao regime original."
RICHARD DICKER, chefe do Programa Internacional de Justiça da Human Rights Watch: "A morte de Muamar Kadafi priva o povo líbio de ter a chance de vê-lo prestar contas em um julgamento no Tribunal Penal Internacional por todos os crimes chocantes que ele teria cometido enquanto reprimia as manifestações pacíficas em fevereiro deste ano. No entanto, sua morte não extingue a necessidade de julgar os responsáveis por estes sérios crimes de guerra e contra a Humanidade."
BEN BARRY, Instituto Internacional de Assuntos Estratégicos, em Londres: "A queda de Sirta e a morte de Kadafi deram enorme impulso político ao Conselho Nacional de Transição. Eles ainda evitaram a necessidade de levar Kadafi a tribunal. A morte dele é um golpe nos seguidores, mas não neutraliza completamente a ameaça de uma insurgência residual ou de terrorismo."
ALI ABDULLATIF AHMIDA, Universidade de New England, nos EUA: "Este é o fim de uma era, mas a luta pelo novo governo já começou. Tudo depende de como os líderes do Conselho Nacional de Transição vão consertar o país e reconciliar o povo."
DANIEL KORSKI, do Conselho Europeu de Relações Internacionais: "A morte do coronel Kadafi é um acontecimento ambíguo para as novas autoridades líbias. Elas evitam um drama judicial já conhecido, à la Slobodan Milosevic, que poderia reagregar o povo em apoio ao ex-ditador. Mas a morte de Kadafi também rouba do novo governo líbio a oportunidade de se mostrar melhor do que o anterior, ao permitir que um processo judicial se estabelecesse. Sua morte, de maneira violenta, também revela o risco da criação da figura de um mártir a partir de um homem cujos feitos em vida nunca foram merecedores desta aclamação."
DANIEL KEOHANE, do Instituto de Segurança da União Europeia: "Ainda não é claro quem os rebeldes são e, embora pareça ser o fim da guerra, é apenas o começo da transição. Muito ainda depende de como os revolucionários irão gerenciar a situação em campo. Se a questão era capturar Kadafi e proteger os civis, tudo bem. Mas não sabemos se a Líbia vai se tornar uma democracia."
GEORGE JOFFE, da Universidade de Cambridge, Reino Unido:"Os problemas da Líbia ainda não terminaram: Kadafi agora é um mártir e, portanto, pode se tornar o ponto de encontro para a violência - talvez não num futuro imediato, mas a médio ou longo prazos. O fato de que a Otan pode ser culpada por sua morte é preocupante, em termos de apoio regional, e pode minar a legitimidade do Conselho Nacional de Transição. Além disso, ainda há a disputa entre líderes de milícia e sobre que papel os até então membros do regime vão desempenhar. Todos esses problemas vão fazer com que o processo de transição seja mais difícil."
SHASHANK JOSHI, Royal United Services Institution, Reino Unido:"A Líbia não é um país viável para uma insurgência de maior porte. Acredito que veremos resistências em alguns lugares, tensões surgirão, mas não será nada que pareça uma contrarrevolução."

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