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sábado, 22 de outubro de 2011

Ministério do Esporte é alvo de mais uma denúncia: Igreja Batista foi pressionada a repassar 10% do valor de um convênio

Esporte cobrou propina, acusa pastor

O ministério foi alvo, ontem, de mais uma denúncia. Em entrevista a "Folha de S. Paulo", o pastor David Alves de Castro, da Igreja Batista Gera Vida, contou ter sido pressionado por um funcionário da pasta para repassar 10% do valor de um convênio do Segundo Tempo, no valor R$ 1,2 milhão, firmado com o ministério. Alvo de uma ação do Ministério Público Federal por irregularidades nesse contrato, o pastor não deu o nome de quem teria cobrado a propina e disse que o dinheiro seria para dar "suporte político" a Agnelo.

O pastor contou não ter aceitado pagar a propina e que, por isso, sofreu retaliação. O projeto com a igreja teria sido apresentado quando Agnelo era ministro, mas o convênio teria sido assinado na gestão de Orlando. Em nota, Agnelo rebateu as acusações. O ministério repudiou as declarações, classificadas como "calúnias sem provas". Afirmou, ainda, que Orlando não assinou o convênio com a Gera Vida. O GLOBO foi até sede da igreja, em Riacho Fundo, mas o local estava fechado.

O policial militar João Dias Ferreira teria contado com a ajuda de dois assessores do Ministério do Esporte para encontrar formas de escapar das investigações sobre desvio de verbas públicas. Segundo a edição da Revista "Veja" desta semana, em abril de 2008, João Dias se reuniu com Fábio Hansen, então chefe de gabinete da Secretaria de Esporte Educacional - responsável pelo programa Segundo Tempo -, e com Charles Rocha, na época chefe de gabinete da Secretaria Executiva do ministério. Em trechos do diálogo, gravado pelo policial, os dois servidores dão orientações a João Dias sobre como resolver o problema.

Os trechos da conversa publicados derrubam a posição oficial divulgada esta semana pelo ministro, que garantiu ter pedido à PM que desse mais prazo para a investigação, a fim de "garantir direito de defesa a João Dias". O ministério sustentou que nunca quis proteger João Dias. Mas os diálogos revelam que, na verdade, houve uma combinação de estratégia para facilitar a vida do policial na apuração das irregularidades que cometeu nos convênio firmados com o governo.

Na conversa, João Dias reclama do envio à PM de documento do ministério cobrando o destino de R$ 3 milhões relativos aos convênios assinados com duas ONGs do policial. "(...) vamos apurar que m...é essa, a coisa fugiu do controle e, por isso, estamos abrindo uma outra frente. Isso é um absurdo, está errado (...) Como é que você está sendo cobrado em R$ 3 milhões?", diz Hansen, na gravação.

Hansen explica que o encontro era para tentar "remediar" o caso. Os três concluem que o próprio ministério deveria sustar a investigação, mesmo depois de tê-la solicitado. Eles traçam uma estratégia, que foi posta em execução. O ministério enviou novo ofício à PM em que pede que o documento anterior, com o pedido de investigação, fosse desconsiderado. Alegou, nesse ofício, que João Dias pedira mais prazo para apresentar a prestação de contas.[a comparação do ofício solicitando investigação e do outro pedindo que o solicitado no anterior fosse desconsiderado é prova irrefutável que João Dias fala a verdade - houve uma negociação para o assunto ser abafado, aliviado - e a PM com certeza tem os dois ofícios.]

Fonte: Globo.com

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