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sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Na prática Orlando Silva não é mais ministro, foi alijado de importantes decisões sobre a Copa 2014 – que o Brasil tem pretende sediar

Manter Orlando Silva ministro será alimentar o escândalo que já ameaça atrapalhar os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

A presidente Dilma Rousseff vai decidir sobre o futuro do ministro do Esporte depois de uma reunião com ele nesta sexta-feira para discutir as acusações de corrupção, disse uma fonte do governo. "Ela quer se reunir com ele pessoalmente antes de tomar uma decisão", disse a fonte, que está bem informada sobre o assunto, mas não está autorizada a discuti-la publicamente.

Orlando Silva é acusado de coordenar um esquema de desvio de recursos que seriam destinados a convênios com organizações não-governamentais firmados pela pasta no âmbito do programa Segundo Tempo. Esse desvio supostamente beneficiaria o ministro e seu partido, o PCdoB. O escândalo ameaça atrapalhar os preparativos para a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Dilma se reuniu com auxiliares na noite de quinta-feira para revisar as alegações contra Silva depois de ter retornado de uma viagem à África, segundo a fonte. O jornal Estado de S.Paulo divulgou nesta sexta que a presidente já teria decidido, depois dessa reunião, de substituir o ministro por outro membro do partido.

Orlando Silva nega as acusações e afirma que elas são uma represália à decisão da pasta de romper convênios firmados com entidades dirigidas pelo policial militar João Dias Ferreira e reivindicar a devolução dos recursos destinados a esses acordos.

Dilma já perdeu quatro ministros envolvidos por denúncias de irregularidades. [e tem mais quatro na fila da descarga, só que o Orlando Silva resolveu furar a fila.] Se o ministro dos Esportes, Orlando Silva, ainda é o representante oficial de sua pasta, na prática ele já não apita nas decisões Relacionadas com a Copa do Mundo de 2014. Depois de estar presente em todos os eventos e ter operado nos bastidores para que seus aliados políticos recebessem jogos, Silva não estava ontem nem na sede da FIFA, em Zurique, nem no Itaquerão.

O Palácio do Planalto já indicou que tiraria as decisões da Copa das mãos do ministro. Em Zurique, essa perda de poder já era visível e foi comemorada. Ontem, a FIFA e a CBF puniram Orlando Silva em dois momentos: retiraram da Copa das Confederações a cidade de Porto Alegre e derrubou seu plano de ter nove sedes prontas para 2013. Ontem, os engenheiros da FIFA confirmaram que o plano do governo era irrealizável e que só quatro sedes no Brasil são garantias reais.

Os governadores do Distrito Federal e de Minas Gerais, presentes ao evento, comemoraram sua inclusão entre as sedes. Uma voz isolada continuava a apoiar o ministro. Era o secretário da Prefeitura de São Paulo para a Copa, Gilmar Tadeu, seu aliado. "O ministros jogou um papel muito importante para a preparação da Copa e é fundamental", afirmou ele. Segundo ele, nada muda em São Paulo diante dos problemas enfrentados pelo ministro. Questionado se pensava que ele deveria renunciar, Tadeu disse que "a denúncia precisa ser comprovada". Adversário de Silva, o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, insistia que os escândalos atuais devem ser respondidos pelo atual ministro. "Eu não tenho nenhuma relação com nada disso." [Agnelo tem que responder pelos escândalos dos R$ 250 MIL que recebeu do desvio do programa Segundo Tempo – conforme operação Shaolin da Polícia Civil – e sobre o escândalo do PAN, quando ele era o ministro – aliás, as investigações já estão bem adiantadas, tanto que os BENS do Agnello estão bloqueados e sua movimentação bancária não pode exceder o valor do salário.

O POVO espera que a Justiça aja com Agnelo com o mesmo rigor que agiu contra o Arruda – desviar dinheiro público é crime, ainda não é hediondo.]

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