Crime Organizado. As dificuldades do novo comandante da Polícia Militar do Rio de Janeiro e os Chiquinhos que aparecerão
Novo comandante da PM do Rio terá dificuldade para limpar a Polícia Militar do Rio.Não dá para ter ilusões. O novo comandante comandante da Polícia Militar, - coronel Erir Ribeiro Costa Filho - terá um gigantesco trabalho para tentar extirpar a banda-podre da corporação. A ousadia dos bandidos de farda e de galões chegou ao ponto máximo com o covarde assassinato, neste ano de 2011, da juíza Patrícia Acioli, no dia da Justiça, ou seja, 11 de agosto.
A íntegra Patrícia Acioli, - então juíza criminal em São Gonçalo e cujo pedido de escolta foi negado pelo desembargador Luiz Zveiter do Tribunal de Justiça -, foi surpreendida e atacada por dois milicianos lotados no Batalhão de São Gonçalo. O referido batalhão era comandado pelo desafeto da juíza, tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira. Quando da identificação dos autores materiais do bárbaro crime, Silva de Oliveira, “reservadamente”, foi transferido de São Gonçalo para o batalhão da Maré, por ato do então comadante-geral Mário Sérgio Duarte.
Na quarta 27, o tenente-coronel Silva de Oliveira foi preso sob acusação de ter sido o mandante do assassinato da juíza Patrícia Acioli e o comandante-geral, Mário Sérgio Duarte Garcia, exonerado das funções. A propósito, Silva de Oliveira nega haver tido participação no assassinato e afirma que provará a sua inocência. Na verdade, competirá ao ministério Público comprovar, em juízo, a sua responsabilidade criminal. [embora seja obrigação do Ministério Público provar que o acusado é culpado, um juiz de primeira instância achou por bem revogar dispositivos do CPP e do CPPM que garantem ao tenente-coronel Cláudio Luiz Silva de Oliveira o beneficio da prisão especial. Se provada sua culpa que seja aquele oficial punido com a pena máxima, mas, enquanto nada é provado que ele tenha direito ao principio constitucional da 'presunção de inocência' e aos beneficios que a lei faculta aos oficiais acusados de crimes.]
O novo comandante, Costa Filho, assume o comando de uma corporação completamente desacreditada junto à sociedade civil. No momento e parodiando Chico Buarque de Holanda, os cariocas e fluminenses preferem “chamar o ladrão”. Como sabe até a estátua do Cristo Redentor, o crime organizado, depois de ações espetaculares como assassinatos de magistrados, submerge, esconde-se até a chegada do esquecimento. Assim, ao novo comandante competirá atuar num momento em que a banda-podre vai recuar e se fingir de disciplinada e cooperativa.
Limpar a polícia não é tarefa fácil em nenhuma parte do mundo. Na Itália, foi designado para combater o crime organizado, - a potente e transnacional Cosa Nostra siciliana -, o general Carlo Alberto Dalla Chiesa, que havia obtido sucesso no combate ao terrorismo.
Dalla Chiesa foi fuzilado e morto no primeiro dia de trabalho na Sicília.
O passo inicial para reprimir a banda-podre policial, - usado nos EUA e Itália com eficácia - deve ser a busca de sinais de riqueza: “Quem cabritos possui e cabras não as tem, de algum lugar provém”, diz a sabedoria popular lusitana.
Com efeito, um trabalho de levantamento para verificar compatibilidade entre ganhos e patrimônio, deve ser a primeira providência para se identificar um policial corrupto e membro da banda-podre. Espera-se que o novo comandante faça e o secretário de Segurança confira o trabalho. [deve ser lembrado que a legislação federal limita o acesso de órgãos não autorizados a informações sobre renda/patrimônio de terceiros - incluindo funcionários públicos, o que também alcança policiais.]
Pano Rápido. No Rio, o novo comandante já foi punido e preso por dizer que o deputado Chiquinho da Mangueira tinha pedido-lhe para “maneirar com o crime organizado”. À época, Costa Filho, - que apareceu na coletiva à imprensa de terno e gravata ( evitou a farda) -, comandava o Batalhão da Mangueira, reduto eleitoral do excelentíssimo deputado Chiquinho. [um oficial que assume o comando-geral da corporação a qual pertence se apresentando à imprensa em trajes civis, não demonstra muito orgulho pela corporação que está sob seu comando. Isso não é bom para a tropa, não pega bem.]
Por: Walter Fanganiello Maierovitch - IBGF

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