Como uma aplicação de adesivos dá a seu carro o jeitão robusto de um veículo militar
O ex-lutador Moisés Souza teve uma carreira vencedora no boxe tailandês. O recifense radicado em São Paulo disputou competições internacionais e foi quatro vezes campeão mundial da modalidade, também conhecida por muay thai. Parte dos campeonatos que ele disputou aconteceu nos Estados Unidos, país que ajudou a alimentar uma segunda paixão: os carrões. Foi lá, há pouco mais de três anos, que ele viu uma picape com a pintura de acabamento fosco. “Achei a estética sensacional”, afirma Souza. Ele adotou o visual em seu carro.
Ao contrário do que parece, não é preciso pintar todo o carro com tinta fosca para ganhar esse ar de Batmóvel ou de veículo militar encouraçado. Na técnica, chamada envelopamento, os mecânicos usam rolos de adesivos para cobrir a lataria e detalhes externos dos veículos. O processo é usado há mais de uma década para colar logotipos em carros comerciais. Agora chegou aos veículos particulares.
A moda está crescendo no Brasil. A oficina H3 Customs, em São Paulo, começou a trabalhar há um ano e meio com envelopamento de carros particulares. “A procura aumentou mais nos últimos seis meses”, diz Daniel Lopes, gerente da oficina. Ele diz que faz um envelopamento a cada quatro dias. O Grupo Surya, empresa de comunicação visual, criou uma divisão, a Preto Fosco, que faz 20 adesivagens por mês.
O envelopamento é versátil. Moisés Souza escolheu o preto fosco, a cor mais popular. “Muita gente me para na rua para perguntar o que fiz”, diz ele. “Já recebi propostas por ele.” Outras cores disponíveis são branco, vermelho, azul e verde. É possível criar texturas, como estrias ou trançado. Outra possibilidade é adesivar uma parte do veículo, como o teto, as portas ou o capô. Há quem adesive o capô inteiro, deixando o carro com duas cores. Alguns preferem colocar apenas listras, como as dos carros esportivos Dodge Viper. Alguns donos de moto também aderiram ao visual fosco. No caso das motocicletas, a parte adesivada é menor que nos carros, mas a aplicação do envelope dá mais trabalho por causa das formas mais arredondadas.
Acompanhamos o envelopamento de um Corsa Sedan branco, ano 2006. O proprietário pagou menos de R$ 1.000. O carro ficou com aparência de novo. Para refazer a pintura num serviço de funilaria tradicional, ele gastaria cerca de R$ 4 mil. O preço varia em função do tamanho do carro e, principalmente, da qualidade dos materiais. Envelopar com o adesivo nacional pode custar menos de R$ 1.000, com três anos de garantia. Com o importado, chega a R$ 7 mil e cinco anos de garantia.
Clique para ver o vídeo “O brilho dos carros foscos”
O motorista que decidir envelopar o carro precisa tomar alguns cuidados. As oficinas mais cuidadosas removem partes como maçanetas e emblemas do carro antes de aplicar o adesivo. Algumas usam um estilete para cortar as pontas do adesivo na fase de acabamento. Isso pode danificar a pintura original do carro. Se o carro mudou de cor, o proprietário precisa registrar a alteração no documento do veículo. Se for a mesma cor, com tom fosco ou com textura, isso não é necessário. O novo registro, incluindo a vistoria, custa cerca de R$ 500. Quem não tomar esse cuidado corre o risco de ter o carro apreendido. Outro cuidado é a lavagem. Não é indicado o uso de mangueiras de pressão. O escovão usado em lava rápidos também é proibido. Ambos podem danificar o adesivo.
O adesivo não estraga a pintura original. Ao contrário. Em princípio, até pode proteger a pintura de arranhões. Se o trabalho de aplicação for bem-feito, a oficina pode retirar a camada plástica sem problemas. Depois, basta um polimento. O único perigo é se o carro tiver algum conserto de funilaria com massa. Nesse caso, a tinta pode sair com o adesivo. A adesivagem, ao que parece, não reduz o valor do automóvel. Moisés Souza, que não costuma ficar mais de três anos com o mesmo carro, diz já ter planos para o próximo. “Se for preto, vou envelopar novamente.”



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