Isenção da Comissão da Verdade?
A Comissão da Verdade está aí. Aprovada, pronta para sanção da presidente Dilma Rousseff e nomeação dos membros que a comporão. (...) “A comissão terá dois anos para produzir um relatório, com conclusões e recomendações sobre os crimes cometidos. Durante as investigações, o grupo poderá requisitar informações a órgãos públicos, inclusive sigilosas, convocar testemunhas, realizar audiências públicas e solicitar perícia. O grupo não terá poderes para punir agentes da ditadura. As investigações incluem a apuração de autoria de crimes como tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres, perdoados com a Lei da Anistia, de 1979.(...)"
O grupo poderá requisitar documentos, mas será que terá isenção para usar os dados que estão em processos, em cartas com "declarações de próprio punho" de militantes, em IPM, em documentos arquivados nas Auditorias Militares, nos DOPS e no Arquivo Nacional? Ou usará a mesma tática que a equipe de Dom Evaristo Arns usou quando copiou clandestinamente, os processos arquivados no STM?
Vamos relembrar os fatos. Em agosto de 1979, começava a dar seus primeiros passos, o Projeto de pesquisa coordenado pela Arquidiocese de São Paulo em silêncio e total sigilo, para lançamento do livro “Brasil Nunca Mais”. Um grupo dedicou-se, por mais de cinco anos, clandestinamente, a copiar documentos produzidos pelas próprias autoridades e pouco a pouco, sorrateiramente, reuniu cópias da quase totalidade dos processos políticos que transitaram pela Justiça Militar brasileira entre abril de 1964 a março de 1979, especialmente aqueles que atingiram a esfera do Superior Tribunal Militar (STM).
Foram obtidas, de forma clandestina, cópias de 707 processos completos que ultrapassaram um milhão de páginas que foram micro - filmadas em duas vias, para que uma das cópias pudesse ser guardada, sem riscos, fora do país.
A equipe que escreveu o livro Brasil Nunca Mais, trabalhou durante 5 anos e retirou da documentação o que lhe interessava. Fez a triagem distorcendo os fatos, e ignorando os crimes, os atentados a bomba, os "justiçamentos", os sequestros e os assassinatos praticados pela esquerda armada.
Cópias restritas do Projeto A foram distribuídas entre universidades, bibliotecas, centros de documentação e entidades voltadas para a defesa dos direitos humanos, no Brasil e no exterior. Começava intensivamente a doutrinação para reescrever a história desse período negro do Brasil
Os militantes da luta armada se prepararam ao longo de anos, aproveitando o silêncio dos que venceram as guerrilhas rural e urbana, mas que se omitiram na batalha das comunicações. Silêncio incompreensível por muitos...
Rancorosos e vingativos, não poderiam perder a oportunidade de passar oficialmente para história como vítimas e heróis. Como verdadeiros defensores da liberdade e da democracia.
Como podem verificar, o processo para reescrever a história do Brasil, com a versão das organizações subversivo-terroristas urbanas e rurais, vem de longe.
A motivação, o período de preparação da luta armada, inclusive no exterior - antes da Contrarrevoluçâo - os crimes cometidos foram propositadamente omitidos para que os brasileiros não tomassem conhecimento das atrocidades dos que pegaram em armas para implantar no Brasil uma ditadura comunista.
A doutrinação, originada pela repetição da mentira difundida, permanentemente, por impregnados revanchistas e por aqueles que lutavam de armas na mão, lançando mão do terrorismo, da tortura, dos assaltos e dos sequestros, para a implantação de uma ditadura marxista-leninista no Brasil, finalmente, agora que muitos de seus membros chegaram ao primeiro escalão do governo, será transformada em "verdade histórica”. Está aí a Comissão da Verdade, aprovada, que ouvirá apenas um lado, mas que não dará credibilidade aos que forem convocados, pelas autoridades constituídas na época, pois o que desejam é a vingança, a execração pública daqueles que, por dever de oficio, foram designados por seus superiores para combater, com a reação necessária, atos de terrorismo que ameaçavam a segurança do povo.
Documentos da época serão desacreditados, mas testemunhos de envolvidos emocional e ideologicamente, que lutaram de armas na mão, certamente terão credibilidade.
O que se pode esperar de uma comissão que será nomeada pela presidente da república, ex-guerrilheira.
Será que ela terá a isenção que a equipe de Dom Evaristo Arns não teve? Mas, que verdade histórica será essa que não trará a público os verdadeiros motivos que levaram as autoridades da época a criarem leis de excessão específicas para o momento conturbado que enfrentavam? Que direito à memoria e a verdade terá o povo se o resultado dos trabalhos da comissão for semelhante ao livro do mesmo nome, que foi publicado pela Secretaria de Direitos Humanos, a partir de depoimentos de militantes e familiares de mortos, perante a Comissão de Anistia e Indenização?
Será que novamente, seguindo o modelo do Projeto Brasil Nunca Mais e de outras publicações, o resultado do trabalho da Comissão da Verdade, na memória do povo, reforçará a idéia de que o terrorismo, o desvario da esquerda simplesmente não teria existido? Vamos esperar para ver o resultado. esperemos que nossas dúvidas sejam infundadas. Que haja, realmente, da parte da comissão a intenção de dar ao povo o direito à memoria verdadeira desse período brasileiro.
Como o brasileiro não desiste nunca e a esperança é a última que morre!...Quem sabe, se a VERDADE HISTÓRICA não será contada, um dia, por historiadores isentos de ideologia e os "heróis" de hoje não sejam julgados de acordo com os seus atos terroristas?
Quem viver verá....
Por: Maria Joseita Silva Brilhante Ustra – A Verdade Sufocada

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