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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Orlando Silva compra terreno que será desapropriado por PETROBRAS. Informação privilegiada?

Orlando Silva nega problema em compra de terreno

Ministro adquiriu lote por onde passa duto da Petrobrás; estatal diz que não desapropriará área, mas oposição suspeita de informação privilegiada

O ministro do Esporte, Orlando Silva, afirmou ontem que usou a “economia de toda a vida” para comprar um terreno de pouco mais de 10 hectares no distrito de Sousas, em Campinas (SP). A declaração foi dada em resposta à reportagem divulgada pelo site UOL sobre a aquisição do imóvel. O líder do DEM na Câmara, Antonio Carlos Magalhães Neto (BA), disse querer investigar o negócio. “Precisamos saber se o ministro tinha informações privilegiadas e, se houve tráfico de influência.”

Orlando pagou R$ 370 mil à vista pelo terreno, em agosto de 2010. Uma faixa de dutos da Petrobrás passa pelo lote. A suspeita é de que o ministro saberia dos planos da estatal de removê-los, o que elevaria o potencial de desapropriação e, eventualmente, aumentaria o valor do imóvel. A Agência Nacional de Petróleo (ANP), que regula as atividades da área, é controlada pelo partido de Orlando. Haroldo Borges Rodrigues Lima, diretor-geral da ANP, é baiano e integrante PC do B, assim como o ministro.

Em entrevista após participar de uma audiência de quase quatro horas em duas comissões da Câmara dos Deputados, o ministro afirmou que o terreno é o único bem que possui. Disse que sabia da existência dos dutos, mas negou ter qualquer informação sobre a possível remoção deles e uma consequente indenização. Observou ainda que o terreno tem um valor menor do que o de vizinhos por causa da configuração do lote. “Isso está registrado na minha declaração de bens. Foi uma compra regular.”

O terreno, de 101,5 mil metros quadrados, tinha 9,4 mil metros quadrados de servidão de passagem divididos em três faixas de terra que seriam usadas pela Petrobrás para passagem de dutos e outras instalações, conforme consta no documento de compra e venda do imóvel.

Pelos cálculos com base no valor que consta na documentação, R$ 370 mil, o ministro teria pago menos de R$ 4 por metro quadrado. Um corretor que trabalha na região avalia que atualmente o metro quadrado no condomínio Colinas do Atibaia, onde está localizado o terreno, pode chegar a R$ 10.

A reportagem esteve ontem no local. Na portaria 3, por onde se tem acesso à área, há uma lista com os nomes dos condôminos na qual aparecem, escritos à mão, os nomes do ministro e de sua mulher, Ana Cristina Lemos Petta. Segundo informações de um funcionário, “o terreno do ministro é o primeiro ao lado esquerdo, depois da primeira área, pertencente a um frigorífico”.

Ao receber o Estado, o funcionário apontou as canaletas, visíveis, e confirmou que por ali passam os dutos da Petrobrás. Ele afirmou ainda que o ministro não aparece por lá há tempos.
Sem previsão. Por meio de nota, a Petrobrás negou que haja previsão de desapropriação de terrenos em Sousas. “Em relação às matérias publicadas na imprensa, envolvendo a sua faixa de dutos na região de Sousas (SP), a Petrobrás esclarece que não existe previsão de desapropriação de terrenos na área. A companhia ressalta que mantém com o Ministério do Esporte a mesma relação institucional que mantém com os demais ministérios”, diz a nota. A ANP não quis se pronunciar sobre as suspeitas levantadas pela oposição.

Fonte: Estadao.com

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