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domingo, 23 de outubro de 2011

A OTAN agiu de forma pior que Kadhafi; ela tinha o DEVER e um mandato da falida ONU para protegero os civis e não para estimular matança

Execução de Kadafi. Questionamentos e desvios pela Otan-Nato da Resolução do Conselho de Segurança

Os serviços de inteligência do Ocidente sabiam que Kadafi, o coronel-tirano, não passaria da quinta-feira, ou seja, de 20 de outubro. Todos os informes apontavam nesse sentido, ou seja, de que Kadafi não resistiria e tentaria deixar Sirte, sua cidade natal. As tropas da Otan-Nato, com a Sirte cercada, promoveram, na terça e na quarta, um intenso bombardeamento com a clara intenção de forçar a fuga de Kadafi. Como previsto, Kadafi tentou uma fuga adrede preparada e num comboio de oito veículos. [a proteção dos civis foi transformada em um bombardeio de agressão de forma a integrar Kadhafi nas mãos dos covardes rebeldes - que são iguais ou piores do que o ex-líder líbio - para isso basta estarem armados.]

Um drone (avião não tripulado) norte-americano e um avião francês Mirage estavam prontos para bombardear o referido comboio. Teve início, então, missão aérea que levou o número 26.089. As rajadas disparadas pelos aviões atingiram, - como destacado com exclusividade no post de ontem desta coluna Sem Fronteiras de Terra Magazine - as pernas de Kadafi, que deixou o veículo onde era transportado e procurou se esconder: relatos falam em ingresso num duto de concreto que serviria uma futura rede de esgoto. [sempre bom ter em conta que o comboio atacado com tanta coragem pela OTAN era formado unicamente por veículos civis, tipo sedan.]



A essa altura, o comando da Otan-Nato e todos os 007 Ocidentais sabiam que competiria, -- e só não estava previsto no Livro Verde ( o livreto escrito por Kadafi usado no seu proselitismo) -, aos insurgentes a realização da caputura em terra. E também caberia aos insurgentes decidir o que fazer com o coronel-tirano. Para os 007 ocidentais, a chance de Kadafi ser entregue a Mahmoud Jibril, presidente do Conselho Nacional de Transição da Líbia e ex-ministro do coronel, beirava ao procentual de 0,1%.

Um filme apresentado pela televisão Al Smod da Líbia mostrou o coronel sendo capturado vivo. Ao pressentir que a arma encostado na sua têmpora poderia ser acionada, Kadafi, conforme gravação realizada, teria dito: - “Não dispare. O que eu te fiz ?”. Depois da pergunta, a única coisa que se sabe de seguro, até agora, é que Kadafi foi alvejado na têmpora. Não se sabe quanto tempo depois da sua pergunta.

Para o Conselho de Transição e para o comando da Otan-Nato interessa a versão de ter o disparo mortal sido feito por um descontrolado cidadão comum. Com base nessa versão, o Conselho de Transição, - que promete eleições democráticas em 18 meses -, avisa que vai instaurar uma investigação para apurar a morte do então tirano. As forças da Otan-Nato vão procurar sair de cena o mais rápido possível. Só que terão dificuldades para justificar o descumprimento da Resolução 1973 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Pano Rápido. Pela Resolução 1973 do Conselho de Segurança estavam autorizadas “todas as medidas necessárias a proteger a população civil”. A atuação da Otan-Nato, durante um curto período, limitou-se a controlar o espaço aéreo. E coube à França evitar a tomada, pelas tropas fiéis a Kadafi, de Bengasi, onde teve início, em 17 de fevereiro passado, a revolta contra o coronel que se manteve 42 anos no poder. Num segundo momento, e com Bengasi salva graças à intervenção francesa, as forças sob coordenação da Otan-Nato passaram a promover uma guerra contra o tirano, em apoio aos revoltosos. Mas isso não era autorizado pela Resolução 1973. [que adianta a OTAN assumir que descumpriu a Resolução 1973 do Conselho de Segurança da ONU e passou a ser uma força de ataque, pró-rebeldes?

o mais comum hoje é países como Israel descumprirem resoluções do CS-ONU e ficar por isso mesmo; afinal, Kadhafi foi criado pelas grandes potências e agora não era mais útil; então foi forjado um inicio de levante, se autoriza a OTAN a 'proteger os civis' e se elimina o estorvo e se silencia mais um.

A parcialidade da ONU em defender interesses escusos patrocinados pelos Estados Unidos é tamanha que vejamos o exemplo do pedida da Palestina de se tornar estado-membro.

Em qualquer órgão colegiado a Assembléia-Geral, ou o organismo que reúna a totalidade dos integrantes do órgão, é a instância máxima de deliberação (um exemplo simples: muitas decisões tomadas por Comissões do Senado ou da Câmara possuem caráter terminativo, mas se forem levadas ao Plenário e este decidir contra, o decidido pelo Plenário prevalecerá).

Então o Conselho de Segurança da ONU pode ter poderes totais - apesar de que o poder de veto dado aos membros permanentes (os donos do mundo) signifique a o CS-ONU está sujeito à ditadura da minoria - mas tem que se curvar à vontade da maioria dos países membros da ONU e esta vontade só pode ser expressa na Assembléia-Geral.

Mas, delegando ao CS-ONU o poder de decidir sobre a solicitação do POVO PALESTINO e estando o CS-ONU submetido ao poder de veto, significa apenas e tão somente que um único dos cinco membros permanentes daquele Conselho pode anular a vontade de mais de 180 países.]

Por: Wálter Fanganiello Maierovitch - IBGF

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