Delator do esquema de corrupção no Esporte tenta sem sucesso recuperar provas apreendidas pela PCDF
O policial militar João Dias Ferreira, delator do esquema de corrupção no Ministério do Esporte, tentou nesta sexta-feira recuperar documentos que foram apreendidos durante a Operação Shaolin, deflagrada em 2010 pela Polícia Civil do Distrito Federal. Ele, no entanto, não os conseguiu de volta, sendo informado pela polícia que as provas já tinham sido encaminhadas para a Justiça Federal. Segundo o advogado de João Dias, Wellington Medeiros, o PM obteve do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) uma ordem judicial que lhe dá acesso às provas apreendidas na época.
O policial foi o responsável por detonar a mais recente crise política envolvendo o governo federal. Ele denunciou à revista "Veja" que o ministro do Esporte, Orlando Silva, estaria desviando dinheiro do programa Segundo Tempo, usando ONGs como fachada. O ministro foi apontado como mentor e beneficiário desse esquema.
João Dias Ferreira, que é ex-militante do PCdoB, disse na reportagem, publicada no fim de semana, que as entidades só recebiam recursos se houvesse o pagamento de uma taxa de até 20% do valor dos convênios. Ainda segundo a denúncia, o PCdoB indicaria os fornecedores e as pessoas encarregadas de conseguir notas fiscais frias. Célio Soares Pereira, também ouvido pela reportagem, contou que entregava dinheiro pessoalmente a Orlando Silva na garagem do ministério. Em oito anos, o esquema teria desviado R$ 40 milhões.
Na terça-feira, o policial afirmou que havia uma central de cobrança de propina no ministério. Ele disse que o chefe do escritório era o advogado Júlio Vinha, que despachava ao lado de Ralcilene Santiago, ex-coordenadora-geral de um dos programas do ministério e antiga militante do PCdoB. Segundo o PM, o esquema foi montado pelo partido a fim de arrecadar recursos para campanhas eleitorais.
Na quarta, ele reafirmou as acusações à Polícia Federal (PF) e disse que entregará na próxima segunda-feira o áudio de uma conversa que comprovará o esquema de corrupção no Ministério do Esporte. Segundo Ferreira, essa gravação será um "nocaute". O ministro Orlando Silva nega as acusações e chama João Dias Ferreira de bandido.

0 comentários:
Postar um comentário