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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Saída do ministro da Tapioca esvazia depoimento de João Dias na Câmara. Agora o assunto deixa de ser político e passa a ser policial

Orlando Silva entregará carta de demissão à Dilma Rousseff nesta tarde

O ministro do Esporte, Orlando Silva, vai entregar a carta de demissão dele na tarde desta quarta-feira (26/10) em encontro com a presidente Dilma Rousseff. A expectativa é que o pedido de demissão seja anunciado a partir das 15h. Pela manhã, o ministro da pasta, o presidente nacional do Partido Comunista do Brasil (PC do B), Renato Rabelo, e os líderes do partido no Congresso, senador Inácio Arruda (CE) e o deputado Osmar Junior (PI), se reuniram com o secretário-geral, Gilberto Carvalho, para avaliar o quadro político em que se envolveu o ministro.

Segundo o Correio, o próprio PC do B já havia admitido que a situação estava insustentável politicamente. Neste momento é realizada uma reunião do partido no Congresso e à tarde ocorrerá o depoimento do policial militar João Dias, na Câmara, o que agravaria ainda mais a situação de Orlando Silva.
Os dois nomes mais fortes para assumir o Esporte são Aldo Rebelo, de São Paulo, e Luciana Santos, de Pernambuco. A presidente Dilma Rousseff já tinha tirado recentemente o poder de Silva em relação às negociações em torno da Copa do Mundo de 2014, junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e a FIFA.

Orlando Silva é suspeito de ter participado de um esquema que desviava recursos do programa "Segundo Tempo", responsável por investir em ONGs que incentivem jovens a praticar esportes. O policial militar disse ter entregue à Polícia Federal, na última segunda-feira, arquivos de áudio que confirmam a presença do ministro em uma reunião em 2008, para prestação de contas. O Ministério do Esporte afirmou em comunicado que Ferreira acordou dois convênios, um em 2005 e um em 2006, que não foram executados. Em função disto, a pasta pede que sejam devolvidos R$ 3,16 milhões gastos. Se confirmado o desligamento de Silva, ele será o quinto ministro que é afastado do cargo em apenas dez meses de governo de Dilma. Antonio Palocci (Casa Civil), Pedro Novais (Turismo), Alfredo Nascimento (Transportes) e Wagner Rossi (Agricultura) também foram retirados de suas respectivas pastas.

Decisão de Orlando Silva de deixar governo faz depoimento de PM ser cancelado na Câmara

A decisão do ministro do Esporte Orlando Silva de entregar a carta de demissão acabou esvaziando o depoimento do policial militar João Dias Ferreira, delator das denúncias de supostas irregularidades no ministério. [para a Câmara dos Deputados interessa mais o aspecto político das acusações contra Orlando Silva; de qualquer modo, cabe ao Ministério Público e a Polícia Federal, continuar as investigações tanto no que diz respeito ao ‘tapioqueiro’ quanto ao atual governador do DF, Agnelo Queiroz, PT-DF – uma eventual prisão do Agnelo é possível, afinal o Arruda por muito menos foi em cana.] Ele desistiu de comparecer à Comissão de Fiscalização e Controle da Câmara na tarde desta quarta-feira. A desistência foi anunciada pelo presidente da comissão, deputado Sérgio Brito (PSC-BA). O motorista Célio Soares também não deve comparecer. O cancelamento do depoimento frustrou a oposição.

Já Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, advogado do ministro Orlando já havia informado antes do cancelamento que acompanharia os depoimentos na Câmara relacionados às denúncias de corrupção no ministério. Kakay disse que fará isso atendendo a um pedido do próprio ministro. Ele também anunciou que, em caso de acusações "levianas e irresponsáveis", entraria imediatamente com queixas-crime contra os detratores. [ameaça vazia, estertor de derrotado – tão logo seja ejetado do cargo o digno tapioqueiro voltará ao anonimato – embora as PESSOAS DE BEM confiem que seus crimes não ficarão impunes.]

Ao entregar o cargo, Orlando Silva vai reafirmar sua inocência à presidente e dizer que a sua saída do comando da pasta será melhor para o Brasil. O nome de consenso do PCdoB para substituí-lo é o do deputado federal Aldo Rebelo, ex-ministro de Relações Institucionais do governo Lula. Além de Aldo, o nome que passa a ser citado por integrantes da legenda é o da deputada e ex-prefeita de Olinda Luciana Santos (PE). Também concorre à vaga o maranhense Flávio Dino, atual presidente da EMBRATUR, advogado, ex-juiz e ex-deputado do PCdoB.

Logo após a reunião da bancada do partido, o presidente da legenda Renato Rabelo negou que tenham sido discutidos nomes para substituir Orlando. Rabelo informou que não poderia adiantar nada a respeito, uma vez que ainda vão se encontrar com a presidente Dilma no final da tarde. Ele também elogiou Orlando Silva, que é filiado ao partido e está sendo acusado de desviar recursos do programa Segundo Tempo, por meio de ONGs de fachada.

- Não posso adiantar nada, porque nós vamos ainda encontrar a presidente. Por uma questão de ética, eu não posso falar - disse, acrescentando:

- Até o encontro com a Dilma, ele continua ministro. Não vamos colocar o carro na frente dos bois. É o governo que vai dizer se ele sai, não é ele quem vai dizer que sai.

Abertura de inquérito no STF foi gota d água para o ministro

A decisão foi tomada durante reunião no Palácio do Planalto, pela manhã, para discutir o agravamento de sua situação, com a abertura do inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar as denúncias de desvio de verbas do Programa Segundo Tempo. Participaram da reunião o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, além dos líderes do partido na Câmara, Osmar Júnior, e no Senado, Inácio Arruda. [afinal a demissão do Orlando já foi devidamente decretada, em rede mundial de televisão pelo secretário-geral da FIFA.]

Após o encontro, Orlando postou no Twitter que hoje ele tem um almoço especial. "Hoje meu almoço é especial, com D. Vanda, minha mãe, aniversariante. E ela veio da Bahia só para isso. Mulher guerreira, grande exemplo", escreveu. [passagens adquiridas com o cartão de crédito corporativo? Afinal a partir de amanhã tal cartão já está cancelado e partindo do principio de que na ótica Dilma qualquer corrupto no momento em que perde o cargo é anistiado, Orlando pode usar e abusar do cartão, pelo menos até à meia noite de hoje.]

Antes da reunião, o presidente do PCdoB teve uma longa conversa com Orlando, já para avaliar o cenário contra o ministro. Na segunda-feira, a avaliação do Planalto era de que o partido deveria conduzir a saída do ministro.

Em reunião da cúpula do PCdoB na terça-feira à noite, na casa do deputado Aldo Rebelo (SP), os integrantes do partido jogaram a toalha e decidiram que não havia mais como sustentar a permanência de Orlando Silva. Depois de muita discussão com o presidente do partido e outros líderes, o nome de consenso para substituir Orlando era o do ex-ministro Aldo Rebelo. - A unanimidade da bancada concluiu que a situação era insustentável e estava atingindo o partido como um todo. Num primeiro momento, a decisão era se unir em torno do nome de Orlando porque todo mundo achava que era tudo mentira, e ainda acha. Mas ele perdeu todas as condições políticas de continuar no cargo. Na reunião a coisa se afunilou para o nome do Aldo - contou um dos parlamentares presentes à reunião.

Gurgel diz que saída de Orlando não altera necessidade de investigação

O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse nesta quarta-feira que a saída de Orlando Silva do comando do Ministério do Esporte não anula a necessidade de investigação. Nesse caso, Orlando Silva perderá a prerrogativa de ser investigado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o inquérito aberto contra ele será enviado para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde já há uma investigação contra o ex-ministro e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz. Segundo Gurgel, há indícios de sérios problemas no programa Segundo Tempo. - A gente tem que investigar independentemente. A saída eventual dele (Orlando Silva) do ministério não altera a necessidade de investigação, porque a primeira aparência é a de que todo esse programa Segundo Tempo tem sérios problemas de irregularidades em todo o país.

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