
Polegar era um dos quatro chefes do tráfico mais procurados pela polícia, e estava foragido da Justiça. O traficante é conhecido por uma das ações mais ousadas do crime organizado no Rio. Em 2001, ele usou um caminhão para arrebentar a parede da Polinter e libertar 14 presos. Ele também é apontado como o chefe do tráfico da Mangueira, e teria fugido da favela antes da ocupação para instalação da UPP, que aconteceu em julho deste ano. Além disso, Polegar é irmão de Francisco Paulo Testas Monteiro, o Tuchinha, que foi chefe do tráfico do Morro da Mangueira e cumpriu 21 anos de prisão.

Durante o processo de pacificação do Complexo do Alemão, em novembro do ano passado, agentes da Polinter localizaram uma mansão que seria do traficante. O local seria usado pelo bandido para se esconder quando ocorriam operações na Mangueira. Polegar era um dos bandidos que o Disque-Denúncia oferecia recompensa. O valor anunciado era de R$ 2 mil, para informações sobre o traficante. Preso em janeiro de 2002, em Fortaleza, e condenado a 16 anos de prisão por tráfico e associação para o tráfico, Polegar conseguiu passar para o regime aberto, graças a um benefício concedido pela 1ª câmara criminal. Em 2009, o traficante foi transferido para a Casa do Albergado Crispim Ventino, em Benfica, e depois deixou o local acompanhado de dois advogados e uma mulher e seguiu para a Favela do Arará.
Segundo a polícia, mesmo de dentro da cadeia, ele chefiava o tráfico de drogas do Morro da Mangueira. À época, o secretário estadual de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, criticou a decisão e pediu mudanças na lei que permite que um preso considerado perigoso volte às ruas sem cumprir a totalidade da pena.
Polegar não é o primeiro traficante brasileiro a ser preso em outro país
Um dos traficantes mais procurados no Brasil, nos anos 2000, Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, também foi preso em um país da América do Sul. Em 2001, ele foi encontrado numa acampamento das Farc, na Colômbia, pelo exército colombiano em atuação conjunta com agentes norte-americanos, e repatriado para o Brasil em abril de 2001.
A ascensão de Beira-Mar ocorreu entre 1990 e 1995, quando abriu canais próprios de distribuição de drogas e conquistou morros como Borel, Rocinha, Chapéu Mangueira e a Favela do Vidigal. Preso em 1996, não ficou nem um ano no presídio de Belo Horizonte. Agentes penitenciários foram acusados de ter facilitado a fuga dele.
No Paraguai, um consórcio de traficantes cariocas e paulistas domina 70% das áreas de plantio de maconha em Capitán Bado e Pedro Juan Caballero, cidades na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Um negócio milionário que tem à frente outro traficante brasileiro, Marcelo da Silva Leandro, o Marcelinho Niterói.
O domínio da região por traficantes brasileiros começou em 2001, após os assassinatos de Ramón e Mauro, filhos de João Morel, então considerado o rei da maconha. Investigações da Senad e de promotores da Fiscalía de Amambay - estado onde estão localizadas as cidades de Pedro Juan Caballero e Capitán Bado - apontam Fernandinho Beira-Mar como mandante dos crimes. A partir das execuções dos chefes da família Morel, a facção de Beira-Mar ampliou o domínio territorial de Capitán Bado a Pedro Juan Caballero.
Investigações conjuntas da Polícia Federal e da Senad indicam que com a prisão de Beira-Mar, hoje na Penitenciária Federal de Campo Grande (MS), Marcelinho Niterói passou a comandar os "negócios" da quadrilha na fronteira. Aliado antigo de Beira-Mar, que o trata como "filho louro", Marcelinho Niterói é de uma família de classe média de Icaraí. Além do plantio, ele também coordena as rotas de transporte da droga para abastecer os pontos de venda da facção no Rio.
Fonte: O Globo

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