A Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) não se comprometeu a defender a aceitação da proposta nas assembleias que serão realizadas em todo o Brasil na segunda-feira. “A possibilidade de encerrar o movimento não está descartada. Os sindicatos podem ou não aceitar essas melhorias. Na primeira audiência, o comando da greve orientou a categoria a fechar o acordo, mas agora não haverá um direcionamento específico para os trabalhadores. Por enquanto, a greve continua”, avisou José Rivaldo da Silva, secretário-geral da entidade.
Reposição
Para colocar um ponto final na briga entre a estatal e os grevistas, o TST designou, por sorteio, o ministro Maurício Godinho Delgado, que vai relatar o dissídio coletivo instaurado pelos Correios. A única possibilidade de o dissídio não ir a julgamento, marcado para terça-feira, será a aprovação da proposta do tribunal pela maioria das assembleias dos 35 sindicatos do país. Os grevistas lutam por um aumento de R$ 200 a todos os trabalhadores, reposição da inflação calculada em 7,16% e elevação do piso salarial de R$ 807 para R$ 1.635. Eles também exigem que os dias parados não sejam descontados.
A categoria propôs fazer horas extras para colocar toda a demanda em dia — até ontem, chegou a 169 milhões o número de correspondências em atraso. Os Correios divulgaram que, no primeiro dia de vigência da liminar do TST que determinou a manutenção de, no mínimo, 40% dos empregados em atividade em cada unidade da empresa, 430 das 7.486 das agências e centros de distribuição descumpriram a decisão. Na decisão foi imposta ainda, para o caso de desobediência, uma multa diária de R$ 50 mil à Fentect. Mas a federação já informou que, por não considerar os serviços essenciais à população, vai recorrer da decisão.
Os Correios informaram que continuam abertos ao diálogo, a fim de fechar um acordo antes do julgamento do dissídio, e que trabalham para minimizar os transtornos à população brasileira. Segundo a estatal, desde o início da greve, foram entregues mais de 600 milhões de correspondências. Hoje e amanhã, um novo mutirão deve ser realizado para desafogar cartas e encomendas que estão paradas.
Fonte: Correio Braziliense

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