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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

As armas não podem cair nas mãos de terroristas. Devem ser localizadas e preferenciamente destruídas

ONU teme que arsenal de Kadafi tenham sido vendidos para terroristas
As armas e os mísseis do regime de Muamar Kadafi já podem ter caído nas mãos de terroristas, transformando o que era uma ameaça em problema real para o novo governo da Líbia. Na noite de segunda-feira, o Conselho Nacional de Transição (CNT) se viu sob pressão internacional com a aprovação unânime, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de uma resolução que insta o novo comando a se empenhar para localizar mísseis portáteis desaparecidos. Para um analista consultado pelo Correio, porém, o armamento já deve estar no mercado paralelo e será difícil saber o que já foi comercializado, uma vez que os números exatos nunca foram conhecidos.

[o mundo espera que EUA e Israel usem a necessidade de localizar e destruir as armas para autorizarem a OTAN a bombardear o Irã e a Faixa de Gaza a pretexto de destruir as armas e proteger os civis.]

O problema das armas e dos mísseis, especialmente os terra-ar do tipo Stinger — que podem ser disparados apoiados no ombro —, vem crescendo na Líbia desde que surgiram as primeiras denúncias de que milhares de unidades foram encontradas por organismos internacionais e jornalistas em locais desprotegidos, com fácil acesso para qualquer pessoa. Na mais recente denúncia, no dia 25, a organização não governamental Human Rights Watch acusou os novos dirigentes líbios de falharem na missão de resguardar depósitos de armas, explosivos e mísseis.

Tanques com produtos quimicos em um arsenal no deserto líbio; segurança precária alarma observadores

A Resolução nº 2.017 do Conselho de Segurança, redigida pela Rússia e aprovada pelos 15 países-membros, manifesta “preocupação com a proliferação de todas as armas da Líbia na região”. Segundo o texto, esse armamento pode “alimentar atividades terroristas, incluindo as da Al-Qaeda no Magreb Islâmico”. Segundo a agência de notícias Reuters, fontes diplomáticas afirmam que parte dos equipamentos já teria ultrapassado as fronteiras líbias com destino a países vizinhos que vivem conflitos — como Sudão e Somália.

O analista Leonard Spector, vice-diretor do Centro de Estudos de Não Proliferação do Instituto James Martin (Monterey, Califórnia), também assegura que a questão do material bélico não é mais um risco, mas um problema a ser combatido imediatamente pelos novos líderes. “Provavelmente, muitas dessas armas já foram vendidas e estão nas mãos de terroristas”, afirmou, em entrevista ao Correio. O grande desafio, segundo ele, se deve ao fato de que nunca foi realmente conhecida a quantidade desse armamento adquirido pelo regime de Kadafi, uma vez que nunca esteve sob observação internacional. Para ajudar o novo governo nesse trabalho, afirma o especialista, está há alguns meses no país uma equipe de especialistas norte-americanos.
Inspeção
Com relação a armas químicas, o especialista diz acreditar que não representam ameaça iminente. Os inspetores internacionais já tiveram acesso a elas durante o regime Kadafi e saberiam exatamente onde estão, ou mesmo se foram removidas. Em 2003, o ditador supostamente abriu mão das armas químicas e do programa atômico. Lector explica, porém, que resíduos foram deixados para trás, e agora precisam ser gerenciados pelo CNT. “Os inspetores de organizações de combate às armas químicas irão rapidamente visitar o país.”
Saiu de cartaz
A modelo italiana Vanessa Hessler, 23 anos, perdeu um contrato milionário com a Telefônica Germany, maior provedora de telefonia da Alemanha, por ter feito elogios à família do ex-namorado Mutassim Kadafi, morto com o pai no desfecho do levante na Líbia. A imagem de Vanessa estampava as propagandas da empresa havia anos, mas foi logo tirada do site. “Não tinha contato com ele desde o início da revolta, mas nossa relação era apaixonada. A família Kadafi não é isso que estão pintando, eles são normais”, disse a modelo à revista italiana Diva e Donna.

Fonte: Reuters

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