EUA firmam acordo militar com a Austrália e mandam recado à China: é preciso seguir as regras
Reforço da presença militar americana foi anunciado nesta quarta-feira. China reage e diz que expansão não é "apropriada"
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, anunciaram nesta quarta-feira (16) um acordo para expandir a presença militar americana permanente no norte da Austrália. O movimento, visto como uma resposta à presença cada vez maior da China no hemisfério oriental, o que é motivo de tensão entre os dois países, gerou reclamações imediatas por parte de Pequim.
O acordo entre Estados Unidos e Austrália prevê que, a partir de meados de 2012, um grupo de 200 a 250 soldados da Marinha dos EUA ficará destacados no norte australiano em ciclos de seis meses, informou Gillard em entrevista coletiva após a reunião com Obama. Além disso, os EUA colocarão mais aviões nas bases do norte da Austrália e ampliarão as manobras militares conjuntas. "Graças a esta iniciativa, estaremos em posição de fortalecer de maneira mais efetiva nossa defesa mútua e também desta região", afirmou Obama. "As rotações enviam uma clara mensagem sobre nosso compromisso inquebrável e durável com a região" da Ásia e do Pacífico, acrescentou o líder americano.
Antes da entrevista coletiva dos dois chefes de governo, o conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes, afirmou que a presença militar na Austrália "permitirá que os EUA contem com um maior equilíbrio geográfico na Ásia e no Pacífico e responder a uma gama de interesses na região". Entre esses interesses está a possibilidade de os EUA agirem com maior rapidez no caso de desastres naturais na região, por exemplo. A grande maioria das tropas americanas na Ásia e no Pacífico está no norte da região, o que diminui a velocidade da resposta no sul.
A grande preocupação dos EUA, no entanto, é a expansão da China. Os EUA observam com atenção a crescente tensão no mar do Sul da China, uma área que considera estratégica para seus interesses, já que por suas rotas passam cerca de US$ 1,2 trilhão anuais em mercadorias entrando ou saindo dos EUA. A China se mostrou gradualmente mais agressiva em suas reivindicações territoriais na região, onde disputa a soberania com Brunei, Malásia, Filipinas, Índia e Taiwan.
Oficialmente, o discurso dos Estados Unidos não é de confrontação. Na entrevista coletiva desta quarta, Obama afirmou que os Estados Unidos não têm medo da China. "A noção de que temos medo da China está errada. A noção de que estamos tentando excluir a China está errada", disse. Em recente artigo, a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, afirmou que o foco da política externa americana no século XXI é a região do Pacífico, e não o Oriente Médio, e disse que tanto EUA quanto China têm muito mais a ganhar da cooperação do que do conflito.
Obama fez declarações semelhantes. Ele elogiou o crescimento da China, acompanhado de uma grande redução da pobreza no país, mas disse que seu governo gostaria de enviar uma mensagem clara: esta nova posição diante do mundo deve ser acompanhada de novas responsabilidades. "É importante que eles atuem dentro das regras do jogo e de fato ajudem a garantir as regras que permitiram o notável progresso econômico nas últimas décadas", disse Obama segundo a agência AFP.
O governo chinês reagiu rapidamente ao anúncio feito na Austrália. Liu Weimin, porta-voz do Ministério do Exterior da China, afirmou que é preciso discutir se a expansão militar americana na Austrália "está alinhada com os interesses comuns da comunidade internacional". "Pode não ser exatamente apropriado intensificar e expandir alianças militares e pode não ser do interesse dos países da região", disse Weimin.
Fonte: Agência EFE

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