Edifício da administração central foi ocupado por um grupo de alunos na noite de terça-feira
A reitoria da USP pediu na Justiça, na tarde desta quinta-feira, a reintegração de posse do prédio da administração central no câmpus do Butantã, na zona oeste da capital, ocupado desde a madrugada de quarta-feira por manifestantes contrários à presença da Polícia Militar na Cidade Universitária.
Caso a Justiça atenda ao pedido, a PM poderá ser acionada para garantir o fim da ocupação. A decisão de pedir a reintegração de posse partiu da comissão permanente de negociação da reitoria. "Espera-se que a situação se resolva sem que sua execução seja necessária", afirmou a comissão em nota. Em entrevista à Rádio Estadão/ESPN na manhã desta quinta, o reitor João Grandino Rodas disse que é seu dever legal trabalhar pelo fim da ocupação da reitoria. "O administrador público não pode deixar a situação prosseguir indefinidamente", afirmou. "Do contrário, ele próprio pode ser processado e condenado." Para o reitor, a forma perfeita de resolver a situação é o diálogo. "Isso passa pela própria resolução dos alunos", ressaltou.
Invasão
Estudantes invadiram a reitoria depois de votação em assembleia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) decidir pela desocupação do prédio da faculdade, invadido na última sexta-feira, quando PMs detiveram três alunos da Geografia que fumavam maconha no câmpus. A principal reivindicação dos estudantes é a saída da polícia da Cidade Universitária. Os PMs atuam no câmpus a pedido da reitoria desde março, por causa dos índices de furtos. Em maio, o estudante Felipe Ramos de Paiva foi morto no estacionamento da FEA após uma tentativa de assalto. Em setembro, a universidade firmou convênio para reforçar o policiamento no câmpus.
Os manifestantes também pedem a revogação de processos administrativos contra alunos, funcionários e professores. A pauta tem o apoio do Diretório Central dos Estudantes, mas a entidade considera a invasão "antidemocrática".
Cerca de 30 estudantes permaneciam ontem à tarde do lado de fora da reitoria - a maioria cobria o rosto com panos e camisas, mas já sem pedras e paus que usaram na ocupação. Uma assembleia foi marcada para as 20h de hoje, quando deve ser decidido se a ocupação do prédio vai continuar.
Rotina
A invasão já afeta serviços importantes que funcionam no local. Bolsas de estudo, convênios, serviços administrativos das pró-reitorias e de recursos humanos são alguns deles. Os funcionários dessas áreas devem trabalhar temporariamente em outros edifícios enquanto durar a ocupação. O expediente do reitor João Grandino Rodas também será afetado - seu gabinete foi ocupado pelos estudantes. Até que a situação se resolva, ele vai despachar de outros lugares e até de fora do câmpus. Alguns funcionários da reitoria foram trabalhar ontem e hoje, mas nem chegaram a entrar no prédio.
Apesar dos protestos, a presença da PM seguiu como de rotina, ontem, com cinco carros circulando pelo câmpus. Francisco de Oliveira e Luiz Renato Martins, professores da FFLCH e da Escola de Comunicação e Artes (ECA), visitaram a reitoria ontem para manifestar apoio à ocupação.
Invasão é problema pontual e saída deve ser negociada, diz PM
Polícia Militar acredita que impasse será resolvido pela direção da USP e afirma ter o apoio da maioria dos alunos
Pelo Facebook, o comandante das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), coronel Paulo Telhada, lamenta a ausência de seus homens no protesto de estudantes da USP, chamados de "baderneiros". Um internauta, Giovani Pagliusi, escreve ao coronel: "Cel. Telhada, pelo amor de Deus, entra naquele prédio da USP e coloca um pouco de discernimento cívico na cabeça daqueles maconheiros." Telhada responde: "Vontade é que não falta, mas infelizmente é bom que isso aconteça para que o povo perceba quem são realmente aqueles indivíduos baderneiros e totalmente contrários às noções de cidadania. Quem semeia o vento vai colher tempestade".
Em outro post, Telhada escreve: "A situação na USP é um problema que enfrentamos há muitos anos. Desde que eu era tenente no 4º Batalhão, já tínhamos desavença com o pessoal que queria fumar maconha livremente e não gostava de ser atrapalhado pela PM. Infelizmente esses indivíduos estarão futuramente em posições importantes e o que vai ser do cidadão que dependerá deles?" "A Rota não foi ao local (USP), pois os PMs do CPM/5 têm trabalhado adequadamente e, caso necessário, solicitarão a Tropa de Choque", explicou Telhada.
A Polícia Militar sabe que um confronto para a retirada dos poucos estudantes que insistem em ocupar a Reitoria da Universidade de São Paulo seria visto por esses alunos como uma vitória. E por isso aposta na negociação das autoridades universitárias para a reversão do impasse.
Fonte: O Estado de São Paulo

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