Pesquisa personalizada

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Situação da Chevron se torna mais complicada

Deputados flagram irregularidades em destinação de óleo da Chevron

Petrolífera contratou terceirizada com licença ambiental vencida

Deputados da Comissão Externa da Câmara Federal — que investiga o manejo do vazamento da Chevron — constataram graves irregularidades na Contecom, empresa de Duque de Caxias, que recebeu o óleo derramado pela Chevron no Campo do Frade, na Bacia de Campos. Segundo os parlamentares, ficou claro que há riscos de contaminação da rede pluvial, ou seja, de águas das chuvas, o que pode vir a afetar também rios e córregos da região. — Não é preciso ser perito para ver que há crime ambiental — afirmou o deputado federal Dr. Aluízio (PV-RJ), presidente da Comissão.

A Contecom recebeu cerca de 80 mil litros de resíduos retirados do mar e possui capacidade de trabalhar apenas 90 mil litros de resíduo. Segundo o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), isso comprova que também a empresa trabalhava no limite de sua capacidade. Os deputados ainda averiguaram, com a ajuda da Policia Federal, que resíduos oriundos da manobra dos caminhões que transportaram o óleo da Chevron seguiam livremente para a rede de esgoto local, sem tratamento. O Deputado Protógenes Queiroz (PCdoB-SP), relator da comissão, chegou a pedir à Polícia Federal que lacrasse a Contecom, porém a instituição preferiu esperar a conclusão da perícia.

Deputados suspeitam da atuação do Inea

Os parlamentares que acompanharam a Contecom levantaram suspeitas sobre a atuação do Inea, órgão ambiental do Rio. Segundo eles, ontem durante a primeira diligência da PF na Contecom, os técnicos do Inea que acompanhavam a operação abandonaram o local depois que receberam um telefonema do diretor de resíduos do Inea. — Isso é, no mínimo, suspeito. Vamos voltar a questionar o Inea para tentar entender o que ocorreu — afirmou o deputado Chico Alencar.

Na segunda-feira, enquanto a PF ainda estava em Duque de Caxias, o secretário do Ambiente Estado do Rio, Carlos Minc, afirmou que não havia irregularidade na empresa. Entretanto, os deputados constataram nesta terça-feira que a licença da Contecom estava vencida desde junho de 2010.

Funcionário preso

Segundo o delegado Fábio Scliar, responsável da Polícia Federal pela investigação do vazamento, a petroleira americana terceirizou o tratamento e o armazenamento do óleo recolhido no mar e houve um problema nesse procedimento. O episódio desencadeou, nesta segunda-feira, a primeira prisão no caso. Apesar de confirmar a detenção, o delegado se negou a revelar o nome do preso.

O problema ocorreu na Contecom, segundo Scliar, em Duque de Caxias — onde trabalhava a funcionária detida, responsável técnica da empresa, de acordo com o deputado Dr. Aluízio (PV-RJ). Depois do vazamento, a Chevron recolheu parte do petróleo no mar e contratou a Brasco Logística Offshore para gerenciar esses resíduos a partir de sua base de operação na Ilha da Conceição, em Niterói. A Brasco, por sua vez, subcontratou — com a anuência da Chevron — a Contecom para transferir e acondicionar o óleo recolhido. Segundo a Brasco, "a Contecom é uma empresa autorizada pelo Inea como receptora de resíduo oleoso e aprovada pela Chevron". O Inea é a autoridade de meio ambiente no estado.

0 comentários: