Visitantes desde 1º junho 2013

Free counters!

IMPOSTÔMETRO

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CORÉIA DO NORTE - 5.000.000 de homens e mulheres em armas

Sinais de fumaça em Pyongyang
A Coreia do Norte é um país tão fechado que a internet não existe por lá. O que funciona é uma intranet, limitada como numa empresa e totalmente controlada. Só num país assim, em que apenas duas entre cem pessoas têm celulares, a notícia da morte do "Querido Líder", Kim Jong-il, poderia demorar dois dias para chegar ao mundo exterior. Como na única sucessão anterior, em 1994, quando morreu o pai da nação, Kim Il-sung, resta ao mundo observar sinais de fumaça sobre Pyongyang na ânsia de interpretar o que está acontecendo nos bastidores do regime.

Uma coisa parece certa: Kim Jong-un, o terceiro filho de Kim Jong-il, de 28 anos presumidos, é o escolhido para dar continuidade à dinastia que dirige este regime comunista em que se misturam maoísmo e stalinismo.

Desfile militar em Pyongyang - ditadura comunista. Um dos maiores exécitos do mundo

O resultado é uma das mais terríveis distribuições de renda do mundo: a imensa maioria do povo passa enormes necessidades, inclusive fome, enquanto as forças armadas têm tudo o que precisam. São 5 milhões de homens e mulheres em armas, um dos maiores exércitos do mundo. E o pior: com algumas bombas nucleares.

O que se especula é que Kim Jong-un é muito novo e não teve tempo de fazer as conexões necessárias para influenciar os generais de Pyongyang, embora seu pai, sabendo que não duraria, o viesse preparando como sucessor, tendo inclusive o promovido a general de quatro estrelas no ano passado. Dois trunfos a favor de Kim Jong-un: ele é o presidente da comissão organizadora do funeral de Estado do pai, que é uma espécie de primeiro teste no qual não pode se sair mal; e poderá contar, nos primeiros tempos de exercício do poder, com a supervisão do tio, Jang Song-taek.

O maior problema é a incerteza. Teme-se que o tio, em vez de tutor, se transforme em adversário numa luta pelo "trono" em Pyongyang; ou que os generais mais velhos não engulam o caçula da turma. A incerteza se traduz em temor de que o regime produza atos tresloucados se houver luta interna. A Coreia do Norte já fez ontem um suspeitíssimo teste de míssil de curto alcance. Recentemente, antes da morte de Kim Jong-il, a Coreia do Norte afundou uma corveta sul-coreana e atacou com artilharia uma ilha do país vizinho, com o qual ainda está tecnicamente em guerra. Quando se sente fraco, Pyongyang agride.
Se tudo correr bem, a Coreia do Norte entrará numa fase de ainda maior reclusão, enquanto o regime absorve a mudança de comando. Poderá até vir a fazer algum gesto amigável em relação ao Ocidente, para atrair simpatia para Kim Jong-un. Há uma esperança: que o jovem Kim, já chamado de "Grande sucessor" e "Eminente líder", dê início a um processo de abertura e modernização que comece a tirar do limbo este país de 24,5 milhões de habitantes.

Neste momento, o único país com possibilidade de influir nesse sentido é a China, por sua condição de aliado com acesso à liderança em Pyongyang. Pequim pode ajudar Kim Jong-un a consolidar seu poder e contribuir para que o país se torne minimamente estável, deixando de ser o que é hoje: um perigo nuclear.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Pesquisa personalizada