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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Israel não tem condições de atacar o Irã

Ameaças do Irã no Golfo Pérsico não passam de bravatas

Preocupado com o embargo ao petróleo, o regime de Teerã tenta demonstrar uma força que não possui para enfrentar Israel e seus aliados ocidentais

Apesar da crescente tensão no Golfo Pérsico nos últimos dias, o conflito na região não deve passar do estágio de embate verbal, segundo especialistas consultados pelo site de VEJA. As ameaças de fechamento do Estreito de Ormuz por parte da marinha de guerra iraniana fazem parte de mais um blefe, outro jogo de cena em que os aiatolás atômicos tentam demonstrar aos seus radicais internos que combatem com severidade os 'inimigos' ocidentais. O motivo da gritaria, desta vez, é a adoção por parte das economias ocidentais de sanções ao petróleo iraniano, pilar da economia do regime de Teerã. Na prática, os Estados Unidos já demonstraram nesta quinta-feira, com o envio de dois navios militares à região, que os iranianos não cumprirão promessas de guerra. Especialistas em ameaças, os iranianos sabem que não têm condições militares de enfrentar a 5ª Frota da Marinha Americana e seus aliados estacionados.

As bravatas da República Islâmica vêm se sucedendo de novembro, quando a pressão internacional sobre o Irã se intensificou. No início deste mês o Irã afirmou estar "sempre preparado para uma guerra", num revide claro ao premiê israelense, Benjamin Netanyahu, que sugeriu um ataque ao país com o objetivo de destruir suas centrais nucleares. O tão temido conflito armado entre mundo islâmico (aliado do Irã) e Ocidente (com os Estados Unidos do lado dos israelenses) deu origem às mais variadas teorias catastróficas para 2012 - como se já não bastassem as previsões maias. Mas a verdade é essa briga não ultrapassará o campo das ameaças.

Tudo começou - ou se agravou - depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) divulgou um relatório apontando indícios de que o regime de Mahmoud Ahmadinejad estaria prestes a criar uma bomba atômica. O presidente de Israel, Shimon Peres, avisou que, antes de uma resposta diplomática, seu país poderia buscar um enfrentamento militar. O Irã rebateu, como é de seu costume, e a troca de farpas se seguiu até um outro incidente chamar a atenção do mundo: o ataque à embaixada britânica em Teerã, por centenas de capangas do radical aiatolá Khamenei revoltados com as sanções econômicas impostas por seu programa nuclear.

"A pressão é séria", enfatiza o diretor de estudos iranianos da Universidade de Stanford, Abbas Milani. A chance real de um ataque à República Islâmica, porém, é quase nula - por mais que o Irã continue provocando o Ocidente. Em primeiro lugar, há questões políticas e diplomáticas envolvidas, que batem de frente com os interesses do governo americano. "Os Estados Unidos já advertiram Israel para não atacar o Irã várias vezes, e o motivo pelo qual insistem nisso, além do problema da instabilidade, é porque há tropas americanas na região que serão atacadas pelo Irã se seu território for invadido por Israel", explica o diretor do centro de estudos internacionais do Instituto de Tecnologia da Massachussets (MIT), John Tirman, que acredita que um conflito seria "muito destrutivo" tanto para israelenses quanto para iranianos.

Outra razão, possivelmente a mais importante, é logística. Sem aliados na região, Israel teria de bombardear as instalações iranianas para interromper o progresso do programa nuclear. Mas o estado judeu precisaria contar com explosivos potentes e de longo alcance para chegar ao Irã (a distância entre os países é de cerca de 1.500 quilômetros), já que ele não teria autorização para sobrevoar o espaço aéreo dos países vizinhos. "Se você olhar no mapa, não há por onde eles sobrevoarem para chegar até o Irã. O Iraque não lhes daria a passagem, assim como Turquia, Arábia Saudita e Síria", analisa Tirman. "Então, eles teriam de fazer uma rota pelo mar, mas eles não têm capacidade para isso", acrescenta. E mesmo se conseguisse percorrer esse caminho quatro vezes mais longo, seus aviões precisariam ser reabastecidos em pleno voo por aeronaves americanas - auxílio que deve ser convertido, no máximo, em um apoio moral.

Contra-ataque - Supondo que Israel ignore todos esses fatos inquestionáveis e consiga inventar armamentos e bombas autossuficientes, seria o mesmo que cavar a própria cova. O Irã utilizaria sua influência sobre grupos islâmicos radicais, como Hezbollah e Hamas, que recebem ajuda financeira do país, para empregar a arma mais temida pelos Estados Unidos: o terrorismo. "Seria muito arriscado jogar uma bomba contra o Irã, porque o mundo islâmico inteiro se uniria para derrotar Israel e a situação ficaria feia. E não seria apenas derrotando-o militarmente, o objetivo seria exterminar o estado de Israel", destaca Tirman, apontando a existência de um estratagema político por trás das ameaças de Netanyahu. "O que ele está fazendo é usar uma ameaça exterior para propósitos políticos domésticos, para reforçar sua coalizão, para desviar a atenção da população do problema palestino, de problemas econômicos e do que está acontecendo no Egito, na Síria e em outros países onde acontecem as revoltas árabes."

O mesmo pode ser dito do Irã, cuja ameaça atômica não passa de falácia para defender o regime de Ahmadinejad, que logo no início de seu mandato, em 2005, anunciou que levaria adiante o programa nuclear. "Se eles chegarem a fabricar uma bomba, será para a defesa do regime de Teerã, não para a defesa do Irã. Para o governo iraniano, seria uma forma de fazer eles se mostrarem imperiosos às pressões de fora, para que eles possam continuar a brutalidade contra o seu próprio povo", diz Milani. A própria tensão entre Israel e Irã cresce graças à verborragia da Ahmadinejad, para quem o holocausto nunca aconteceu e que sustenta uma política de "diplomacia zero" ao afirmar que o estado judeu deve ser riscado do mapa. "Ahmadinejad é um homem que tem diarreia pela boca, ele fala coisas que nenhum ser humano responsável diria - muito menos um chefe de estado", salienta o especialista, para quem a figura do presidente oscila entre comédia e tragédia, uma ameaça real e um espetáculo de circo.

Mas o que Ahmadinejad tem de louco, tem de esperto. O ditador iraniano conhece bem todos os obstáculos que impedem um ataque a seu país e, claro, usa isso a seu favor. "Não acredito que exista alguém com coragem de ordenar um ataque militar", afirmou, em uma entrevista ao canal oficial de televisão da Venezuela. Por isso, a melhor estratégia para Estados Unidos e Israel é deixar o circo pegar fogo sozinho. Financeiramente, o Irã já está em crise. E as duras sanções impostas ao regime só irão acelerar o processo de decadência de uma economia dependente da venda de petróleo. Além disso, a rivalidade entre Ahmadinejad e o aiatolá Khamenei cresce a cada dia e, no caso de um embate mais direto, os dois perderiam. "O regime de Ahmadinejad morrerá por sua própria incompetência, corrupção e histórico anacronismo", afirma Milani. A bomba-relógio está acionada, e pode ser só uma questão de tempo.

Fonte: Revista VEJA

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