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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Secretário Mariano Beltrame nega crise entre polícias no Rio

Secretário de Segurança afirma que prisão de oficial não causou crise

Coronel do 7º BPM, acusado de receber propina do tráfico, foi afastado do cargo para ‘preservação da imagem’

O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse nesta quinta-feira que a prisão do coronel Djalma Beltrami, ex-comandante do 7º BPM (São Gonçalo), não causou crise nem mesmo mal-estar entre as polícias Civil e Militar. Durante a inauguração de uma oficina de transformação de material reciclável em objetos de moda na Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Morro do Turano, no Rio Comprido, o secretário ressaltou que a decisão do desembargador Paulo Rangel, que determinou a libertação de Beltrami e criticou a investigação responsável pela prisão do oficial, foi "pontual". O coronel foi preso na segunda-feira, sob a acusação de receber propina para não reprimir o tráfico no Morro da Coruja, em São Gonçalo, e deixou a cadeia na madrugada de quarta-feira, após 44 horas. — Não há que se falar em crise. A sociedade quer, o contribuinte merece ver as duas instituições na rua trabalhando, apresentando resultados. Agora, vamos esperar o término do relatório do presidente do inquérito, que é delegado de polícia (Alan Luxardo, da Delegacia de Homicídios de Niterói). Vamos esperar o relatório para saber as razões do desencadeamento dessa operação — disse Beltrame.

Mais cedo, Djalma Beltrami, foi afastado do batalhão para a preservação de sua imagem. Ele foi transferido para a Diretoria Geral de Pessoal (DGP). As informações foram divulgadas pela assessoria da Polícia Militar na manhã desta quinta-feira. Ele foi solto com base em habeas corpus concedido pelo desembargador Paulo Rangel, do plantão judiciário do Tribunal de Justiça. Na decisão, o magistrado escreveu que "estão brincando de investigar" e criticou o trabalho da Delegacia de Homicídios (DH) de Niterói, responsável pela prisão do oficial. O juiz também determinou que o nome de Beltrami seja retirado da investigação até que novos elementos apareçam. Outros 10 PMs também foram presos suspeitos de participar do grupo.Em entrevista à Rede Record, no início da tarde desta quinta-feira, Beltrami disse que “as autoridades” já sabem que ele é inocente. E que seu afastamento do comando do batalhão de São Gonçalo foi acertado com o comandante da PM, coronel Erir da Costa Filho, para que as apurações sobre o caso possam ser concluídas.— Até porque, a PM também está apurando — disse Beltrami, acrescentando que confia em seu trabalho e em sua consciência.

Depois de três dias de silêncio, nesta quinta-feira o corregedor da PM, coronel Waldir Soares Filho, disse que é um equívoco dizer que há briga entre as duas corporações. A maior prova disso, segundo ele, é que as corregedorias das duas instituições estão trabalhando em conjunto numa grande operação contra milicias. O caso envolvendo o tenente-coronel Djalma Beltrami, segundo ele, é um caso isolado.

Horas depois de ser solto, o coronel disse que nunca recebeu propina e cobrou que a Polícia Civil apresente as provas de seu envolvimento com o tráfico de drogas. O coronel disse ainda que seu patrimônio é compatível com seu salário, que mora de aluguel na Baixada Fluminense e que ele e sua mulher têm apenas dois carros. - Eu nunca recebi propina na minha vida. Eu nunca participaria de nenhum esquema dessa natureza (...) Eu nunca mandei ninguém falar por mim e nem nunca iria mandar alguém falar por mim. Eu não tenho essa informação. O meu trabalho sempre foi especificamente a nível operacional. Se chegar ou se tivesse chegado uma informação específica dessa natureza, todos os procedimentos seriam tomados (...) Eu não tenho nada a esconder. Estou muito convicto disso. Por isso, eu consigo botar a minha cabeça no travesseiro e dormir tranquilo - disse o coronel, em entrevista ao ‘RJTV’ na noite de quarta-feira.

Em sua decisão, o desembargador Paulo Rangel afirmou que o juiz da 2ª Vara Criminal de São Pedro da Aldeia, que expediu o mandado de prisão contra Beltrami, deixou-se levar "pela maldade da autoridade policial, que entendeu que ‘zero um’ só pode ser o comandante do 7º batalhão". A expressão "zero um" é usada numa conversa gravada entre um PM e um traficante e, segundo a investigação da Polícia Civil, seria uma referência a Beltrami. Ainda em sua decisão, o desembargador diz: "A versão da autoridade policial colocou, até então, um inocente na cadeia". O magistrado completa: "Investigação policial não é brinquedo de polícia".

Quando recebeu a notícia de que o habeas corpus havia sido concedido, Beltrami ficou 44 horas preso em uma sala do quartel general da corporação, no Centro, e chorou. O habeas corpus foi impetrado pela defensora Cláudia Valéria Taranto. Sua prisão, temporária, poderia durar um mês. Beltrami vive com a família num prédio de classe média , numa rua simples em São João de Meriti. Os moradores do edifício evitaram comentar a prisão do vizinho. O comandante-geral da PM, coronel Erir da Costa Filho, disse que não vai se pronunciar sobre a decisão do desembargador Paulo Rangel, que concedeu o habeas corpus. De acordo com o relações públicas da PM, a corporação aguarda o envio do inquérito, com escutas telefônicas que acusam Beltrami de receber propina do tráfico. O pedido da documentação foi feito por meio de ofício ao delegado Alan Luxardo, titular da Divisão de Homicídios de Niterói. Ele está à frente das investigações.

A entidade repudiou a ação do titular da DH, delegado Alan Luxardo, responsável pela Operação Dezembro Negro, na qual o oficial foi preso. Presidente da associação, o coronel Fernando Belo questionou a principal prova apresentada pela polícia para prender o oficial: a escuta telefônica em que há referência ao "zero um": — Não há prova alguma que possa colocar Beltrami na situação em que está. Esta é uma prisão criminosa.

Fonte: EXTRA

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