Visitantes desde 1º junho 2013

Free counters!

IMPOSTÔMETRO

domingo, 24 de março de 2013

Teremos COPA 2014? Secretário-geral da Fifa mostra-se preocupado com o Itaquerão - esqeuçam Romário, ele quer apenas aparecer

Jérôme Valcke: 'Fizemos tudo que o Brasil pediu'

O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, diz não ter dúvida de que a Copa de 2014 será “a melhor de todas se o país cumprir o prazo de entrega dos estádios”, em 31 de dezembro. Mas, nesta entrevista, na sede da Fifa, o francês, de 52 anos, mostra-se preocupado com o Itaquerão, local da abertura do Mundial, e com os ataques de Romário ao presidente da CBF e do COL, José Maria Marin.

O GLOBO: Se a Odebrecht parar as obras em 1º de abril, o Itaquerão estará em risco para a abertura da Copa?
Jérôme Valcke: Há um comprometimento do governo e do ministro (do Esporte) Aldo Rebelo de assegurar que todos os estádios estejam prontos, seja para a Copa das Confederações, seja para a Copa do Mundo. Reconhecemos que o entorno dos estádios e algumas coisas não estarão 100% para a Copa das Confederações, mas onde se possa jogar futebol, a imprensa possa trabalhar, a TV possa gerar as imagens, será suficiente para um forte evento-teste.

Quanto tempo o senhor esperaria por São Paulo?
O estádio está completo em seu arco, e a obra está adiantada (67%). Posso esperar se a Odebrecht me confirmar que estará pronto a 31 de dezembro. Em Recife, tínhamos um mau relatório, mas houve esforço grande, e o estádio será entregue para a Copa das Confederações. Não quero interferir na discussão que terá de acontecer em São Paulo entre o ministro Aldo, a Odebrecht, o COL e os envolvidos.

Mas a Odebrecht já comunicou às partes que vai parar se os R$ 400 milhões não chegarem à empresa...
Se ela parar no dia 1º, e recomeçar no dia 2, tudo bem...

O senhor irá a São Paulo?
Não. Não quero interferir. É um problema local que o COL-2014 e o ministro Aldo sabem como tratar.

O que o senhor espera?
Que o prazo final seja cumprido: 31 de dezembro. Não é por ser uma data bonita. No dia 6 de dezembro, teremos o sorteio dos grupos da Copa do Mundo (na Costa do Sauípe, na Bahia). Com todos os jogos definidos, começaremos a segunda fase da venda de ingressos dia 7 de dezembro. Vai ser uma corrida por ingressos. Se já é um sucesso a venda para a Copa das Confederações, imagina para o Mundial. Precisamos ter um plano com a segurança de que não vamos mudar nada.

Comenta-se que já haveria outra sede a postos para tomar o lugar de São Paulo na abertura...
A hora é de esperar que São Paulo confirme que estará pronta a tempo. Eu odeio quando começam a falar de possibilidades. Isso só cria mais problemas. Temos um fato, não é uma situação fácil, mas vamos tentar resolvê-la. Só depois vamos tomar uma decisão.

Alguns estádios serão entregues menos de dois meses antes da Copa das Confederações. Como fica para montar toda a infraestrutura da Fifa?
As pessoas no Brasil estão aprendendo como é importante entregar um estádio no prazo. Quando você entrega um estádio a apenas seis semanas do jogo inaugural, é impossível funcionar 100%. É por isso que, para a Copa do Mundo, será completamente diferente.

Por quê?
Não apenas por que teremos 32 equipes. Teremos milhares de torcedores estrangeiros a mais, milhares de jornalistas, VIPs e convidados de nossos parceiros comerciais. Todos eles precisam usar uma estrutura gigante, funcionando 100%. É por isso que repito: nós acertamos que 31 de dezembro tem que ser o prazo final. Se alguém de algum estádio nos disser: “Ah! Me deixe trabalhar até março de 2014, até abril de 2014...” Este não prosseguirá.

Como está a sua relação com o ministro Aldo Rebelo depois do polêmico “chute no traseiro”?
Estamos falando a uma só voz. Entendo os desafios que Aldo enfrenta. Ele está pessoalmente envolvido em todas as discussões. Quando há um atraso, ele pega um avião e vai discutir com o prefeito, com o governador. Ele, realmente, pôs a Copa nos braços para assegurar que tudo será feito. Sem o apoio do governo, não teríamos a menor chance.

Por quê?
Poderíamos jogar a Copa do Mundo em oito cidades. Era a mínima exigência. O Brasil nos pediu 12. Não há dúvida sobre o nível de confiança que depositamos. Não era para a Copa das Confederações ter seis cidades. Nós dissemos: “Vamos permitir, embora os relatórios técnicos de preparação não sejam tão bons em algumas cidades”. Nós confiamos nas cidades, nos prefeitos, nos governadores, no governo.

E o Rio?
Não foi fácil, porque o Maracanã está construído no meio da cidade. Precisava de mais espaço, muitas intervenções. Acreditamos, pela capacidade que a cidade mostrou de organizar outros eventos, como o Pan-2007. Mas a Copa do Mundo é algo muito especial, é a força do futebol. E o Rio tem a final da Copa. Veja o que acontece na França: um milhão de pessoas querendo ingressos para entrar num estádio (Parc des Princes) de 45 mil lugares para ver PSG x Barcelona. Imagina o Brasil na final da Copa do Mundo-2014! Seriam necessários, no mínimo, 20 Maracanãs para tantas requisições de ingressos.

Por isso, a Fifa estava preocupada na última visita ao Rio?
A mensagem principal é: “Nós não podemos pôr a Copa em risco”. Somos flexíveis para a Copa das Confederações, mas isso não conta para a Copa do Mundo. Sem ela, a Fifa não pode financiar todos seus programas de desenvolvimento do futebol, todas as outras competições que organiza. Nós temos que proteger a Copa do Mundo, os times, os jogadores, os torcedores, os parceiros comerciais e até a mídia, que é fonte de divulgação do nosso evento.

Por que o presidente da CBF e do COL-2014, José Maria Marin, não tem participado de muitas decisões na Fifa? O senhor confia nele?
Sei que o senhor Marin está passando por um momento difícil no Brasil. Cada dia, vai se tornando um pouco mais difícil, duro. Não é uma situação fácil. Não é a Fifa, é um problema brasileiro. Nós respeitamos os direitos individuais. Sabemos que não é boa a situação do presidente Marin perante Romário, a mídia e o Congresso, e estamos acompanhando. Se houver necessidade, isso será alvo de discussão entre Marin e a Fifa.

E se o governo intervir?
Seria ruim. Nunca ouvi nenhum comentário, nem desejo do governo de intervir. Aldo Rebelo sabe perfeitamente o que não deve ser feito por governos com as associações de futebol. Não penso que eles queiram intervir. Temos um excelente relacionamento com o governo, com Aldo Rebelo e Luís Fernandes. Acredito que não haverá nenhum ato de qualquer lado, sem uma discussão entre o governo e a Fifa.

Por que razão o presidente Marin não foi convidado para o almoço da Fifa com o ministro Aldo?
Foi um almoço muito leve (risos). Sabíamos que Aldo Rebelo viria para o amistoso da seleção brasileira contra a Itália, e o convidamos para vir à Fifa participar da reunião do comitê organizador da Copa. Infelizmente, mudanças na agenda do ministro não permitiram que ele chegasse a tempo. Não há banimento algum ao presidente Marin por parte da Fifa.

Pensa em conversar com o deputado Romário sobre ataques a Marin?
Não penso que Romário queira conversar comigo. Não penso que eu esteja no topo da lista das pessoas das quais ele gosta..

Em 2010, Romário estava ao lado de Ricardo Teixeira, promovendo a logomarca da Copa-2014, em Johannesburgo. O que mudou?
Não creio que Romário seja contra a Copa. Ele sabe a importância que ela tem para o desenvolvimento de infraestrutura nas cidades brasileiras. Espero que Romário, como presidente de uma comissão importante na Câmara, compartilhe essa visão, a beleza e o valor de uma Copa para o Brasil. Não espero que fale bem da Fifa, mas que ele reconheça os benefícios.

A Fifa cederia algo mais?
Podemos ser acusados de muitas coisas, mas fizemos tudo que o Brasil nos pediu. Nunca nos negamos a aprovar os ingressos com descontos para estudantes, para o Bolsa Família, para as populações indígenas etc... É uma Copa para o Brasil e no Brasil. Reconhecemos o esforço do Brasil. Nós nunca dissemos “não”! Só dizemos: “Por favor, entreguem-nos no prazo o que precisamos para organizar uma Copa do Mundo!” Deixamos fazer tudo o que pediram no Brasil: 12 sedes na Copa, seis na Copa das Confederações. E ainda deixaremos muito dinheiro para o Brasil investir no futebol como parte do legado da Copa.

Aonde estão as prioridades?
A presidente Dilma Rousseff considera importante investir no futebol feminino. Queremos um futebol sul-americano forte para que cada vez menos jogadores precisem sair para atuar na Europa. Não é legal dizer que a Fifa ficará com todo o lucro, e que o “pobre Brasil” não levará nada. Ficará muito dinheiro para ser investido no futebol, como está ocorrendo na África do Sul, com o programa de legado dos lucros da Copa (mais de US$ 55 milhões).

Quando será sua próxima visita ao Brasil?
Em maio. Irei a Natal, no dia 13, ao Maracanã, no dia 14, e terei a reunião do Board no dia 15.

Algum desejo especial?
Estou esperando ansiosamente por este encontro do ministro Aldo com as partes envolvidas com o estádio de Corinthians.

Fonte: O Globo

Nenhum comentário:

Pesquisa personalizada