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COMUNICADO - Novo Site

Nota de Esclarecimento

Importante:

Memória: em 8 setembro 2007, começamos as atividades deste Blog, sob o título Blog da UNR e nossos objetivos estão bem destacados no nosso primeiro post, título 'início das atividades...' .

De imediato, constatamos que estando a esquerda no governo, uma dificuldade se apresentava: contar os erros, as traições, as covardias, os assassinatos, as falcatruas cometidos pela esquerda durante o Governo Militar OU contar os crimes que a esquerda, a petralhada à frente, continua cometendo nos dias atuais? (apesar de fragorosamente derrotada pelos militares a esquerda aproveitou-se da generosidade dos vencedores e voltou tal qual serpente e conseguiu PERDER A GUERRA e vencer a Batalha da Comunicação, passando de vilão a heroína).

A famigerada esquerda conseguiu o poder - agindo disfarçada de democrata - e passou a mostrar, de forma descarada, ser pior que antes.

Diversos motivos, que não vem ao caso aqui detalhar, tornaram conveniente alterar o nome do Blog da UNR, que passou a denominação de BLOG PRONTIDÃO, mantendo a URL.

Apesar de ser um Blog pequeno, fruto de um trabalho amadorístico, porém de muita dedicação, contando com poucos seguidores, alguns visitantes fiéis, outros eventuais, tivemos a imensa alegria de constatar que incomodávamos a petralhada - o que foi fácil perceber pela necessidade de 'moderar comentários', pelos xingamentos que recebemos a cada postagem, tentativas de invasão (parcialmente exitosas, com modificações de postagens {o mais odioso foram as vezes que conseguiram mudar palavras, trechos de postagens, títulos, e passar a idéia que defendíamos o desgoverno petralha}).

Para tornar mais dificil que os guerrilheiros da informática à serviço do desgoverno - o ministro da Secom, Traumann, foi demitido por admitir publicamente que o desgoverno Dilma, a exemplo do seu antecessor $talinácio Lula, usam a guerrilha virtual - continuassem a nos incomodar, decidimos suspender, temporariamente, a veiculação de POSTs no Blog Prontidão, passando a veicular no Blog PRONTIDÃO TOTAL, usando outra URL.

Claro que alguns leitores não acessaram o Blog Prontidão Total - o que atribuímos a alguma falta de comunicação da nossa parte - porém, de tudo concluímos que podemos e VAMOS PERMANECER firmes e fortes, protegidos da sanha 'assassina' dos guerrilheiros virtuais do desgoverno, contando a verdade, tudo o que soubermos e o nosso amadorismo permitir, do muito de ruim, de nocivo, de pernicioso, que o atual desgoverno pratica, estimula, esconde e apoia.

Voltar ao Blog PRONTIDÃO seria pretender que nossos poucos leitores ficassem pulando de galho em galho - a manutenção da nossa 'linha editorial', que vem desde 2007, é eloquente e fiel aos fatos ao provar que nossos ideais permanecem firmes, estamos apenas mais fortes.

Vamos continuar com a denominação Blog PRONTIDÃO TOTAL, na URL que atualmente atende àquele Blog, mantendo nossa postura de apresentar sempre a VERDADE - verdade que representa os fatos (aliás, não podemos esquecer, verdade e fato são unos)e não a verdade conveniente (tática usada pela esquerda petralha).

Felizmente, temos dois leitores, afinal, escrevemos e vamos continuar escrevendo para dois leitores: "Ninguém" e "Todo Mundo".

Por favor, nos honre com sua visita, clicando aqui: Blog Prontidão Total ou em qualquer link disponível, em azul, neste texto

ou colando em seu navegador: http://brasil-ameoudeixe.blogspot.com.br/

ou Blog Prontidão Total

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sábado, 30 de novembro de 2013

Fatalidade mata aspirante em piscina da Escola Naval

Capitão diz que morte de aspirante da Marinha em piscina da Escola Naval foi uma fatalidade

Vítor Lauria Pinto da Silva praticava travessia submersa no horário de lazer e foi retirado da água desacordado -  Caso ocorreu na noite desta quinta-feira
O capitão de Mar e Guerra e comandante do Corpo de Aspirantes da Escola Naval, Alexandre Reis Leite, afirmou que foi uma fatalidade a morte do aspirante Vitor Lauria Pinto da Silva, durante atividades da Marinha. O aspirante de 21 anos morreu após desmaiar durante uma travessia submersa na piscina da Escola Naval, no Centro do Rio. - Foi uma fatalidade. O Vitor era uma pessoa muito especial. Foi o segundo colocado da turma ano passado em desempenho acadêmico no ano passado - comentou Leite, destacando que sempre há militares nas imediações do Parque Aquático.

Segundo o capitão, as atividades na água são natação e permanência - que consiste em flutuar por dez minutos na água. Vitor e outros 40 alunos praticavam a atividade no período de lazer, segundo Alexandre Reis. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) apontou que o jovem morreu afogado. - O Vitor estava sempre tentando provar que ia além. Era um aluno dedicado, nota dez em atividades navais. Era um triatleta - disse o capitão de Mar e Guerra. Segundo ele, a piscina onde a travessia submersa foi feita tem piscina 50 metros comprimento e 2,40 metros de profundidade.

No fim da manhã desta sexta, o pai do aspirante fez um desabafo emocionado ao deixar o Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio, despois de liberar o corpo do filho. Marco Antônio Machado Pinto da Silva, de 62 anos, não comentou o acidente: - O Vitor era um filho adorado. Ninguém pode compreender a dor que estou sentindo nesse momento. O enterro de Vitor está previsto para as 16h no Cemitério do Caju, na Zona Portuária do Rio.

Marinha investiga
Segundo nota emitida pelo o 1º Distrito Naval, Vitor recebeu os primeiros socorros na piscina e no Departamento de Saúde da Escola Naval, e depois foi levado para o Hospital Naval Marcílio Dias (HNMD), mas não resistu. De acordo com nota do 1º Distrito Naval, um Inquérito Policial-Militar foi instaurado para devidamente apurar as circunstâncias do incidente. O serviço de emergência do HNMD constatou a morte às 19h40. Um Inquérito Policial-Militar foi instaurado para devidamente apurar as circunstâncias do ocorrido. Em nota oficial, a Marinha do Brasil diz que "está prestando todo o apoio a família do Aspirante Vitor Lauria Pinto da Silva e apresenta suas condolências.”

Fifa já tem plano B caso São Paulo não consiga sediar abertura da Copa

 Arena Corinthians  pode ser barrada pela Fifa
A Fifa aguarda a conclusão da perícia na área do acidente na Arena Corinthians para definir se o estádio vai ser o palco de abertura da Copa de 2014. Dependendo do laudo e das considerações técnicas, legais e financeiras por parte dos organizadores, a entidade pode acionar um plano B. Fontes ligadas à organização da Copa confirmaram com exclusividade ao Estado que a Fifa não quer mais correr riscos e, se a constatação for de que os danos são graves, impedindo a implantação das arquibancadas móveis que aumentariam a capacidade do estádio, a entidade pode levar a abertura para uma das arenas já prontas e que foram usadas na Copa das Confederações.


Rio e Brasília seriam as primeiras opções, com Belo Horizonte também podendo entrar na briga. São Paulo ficaria apenas com jogos menores e sem a presença da seleção brasileira. Oficialmente, a Fifa deixou claro que ainda não garante o estádio do Corinthians na abertura. Uma decisão será tomada na próxima semana, depois que o informe detalhado seja concluído sobre os estragos causados pelo acidente que matou duas pessoas em Itaquera. Outro motivo de apreensão é uma eventual ordem pelo Ministério Público de suspensão das obras. "Ainda é prematuro fazer qualquer avaliação detalhada sobre a situação da Arena Corinthians, já que ainda estamos esperando um informe técnico para sermos capazes de avaliar a escala dos estragos", indicou a entidade em comunicado.

Questionada pelo Estado se a Fifa garantia São Paulo na abertura, a assessoria de imprensa da entidade apenas informou: "Falaremos na semana que vem". Apesar de já vender entradas para os jogos e ter um calendário publicado, a Fifa admite que mudanças podem ocorrer.


Fontes ligadas aos organizadores relatam ao Estado que a mudança, em termos operacionais, não seria impossível nem afetaria o gramado dos demais estádios. A abertura ocorre no dia 12 de junho. Mas tanto o Maracanã quanto o estádio de Brasília só entram na Copa no dia 15, o que daria tempo suficiente para permitir que um desses dois estádios também recebesse a festa de abertura.

Quanto à semifinal em São Paulo, tanto Brasília quanto o Rio poderiam acolher o jogo sem que isso represente um esforço extra para o gramado. Caso esse cenário acabe se confirmando, São Paulo ficaria apenas com quatro jogos dos 64 da Copa. Eles seriam três da primeira fase e que exigiriam uma capacidade bem mais reduzida que um jogo de abertura ou semifinal. A cidade ainda poderia manter um dos jogos das oitavas de final, no dia 1 de julho.

ARQUIBANCADAS
O centro das atenções da Fifa está na instalação das arquibancadas móveis,
o que garantiria o número de lugares (62 mil) para entrar nos critérios da entidade para um jogo de abertura e uma semifinal. Se o dano constatado for importante ou os atrasos acabem sendo significativos, uma opção seria a de abandonar as arquibancadas móveis. Quanto aos ingressos já vendidos, fontes dos organizadores do Mundial estimam que a operação também não seria das mais complicadas caso haja mudanças. Quem obteve o ingresso poderia usá-lo no outro estádio ou ser ressarcido se optar por não viajar. Nos bastidores, fontes da organização confirmam que o impacto da perda de São Paulo na abertura da Copa seria profundo e existe uma forte pressão para que a cidade não seja excluída das grandes partidas.

Segundo a Fifa, uma avaliação sobre o destino do estádio do Corinthians e sua utilização no Mundial só ficará pronta na semana que vem, quando o Comitê Organizador da Fifa se reunirá na Costa do Sauipe, na Bahia, para o sorteio dos grupos da competição.

Fonte: O Estado de São Paulo

Delitos e penas no jaboticabal

Será que os politicamente corretos sabem que o primeiro a levantar a voz pela igualdade entre os presos que cometessem o mesmo delito foi um marquês?
 Que antes dele dominava a tese que as penas constituíam uma espécie de vingança coletiva? 
Aqui parece que Beccaria anda meio esquecido. Querem as mesmas penas e o mesmo opróbrio contra um Elias Maluco e um corrupto. [o corrupto se apropria de  recursos que poderiam ser aplicados em várias áreas, com destaque para educação, saúde e segurança; assim, os corruptos causam mais danos à Sociedade do que um Elias Maluco, sendo justo que sejam tratados da mesma forma, qual seja: como bandidos.] Temos tido muitos novos capítulos para o FeBeaPá. Alguns bem curiosos. Ontem foi a vez dos juízes da Vara de Execuções Penais que resolveram determinar o fim dos ‘privilégios’ na Papuda. Os juízes concordam que o “sistema carcerário brasileiro é deficiente”, mas não acham que isso seja motivo para tratamento diferenciado! Pois eu achava que essa era uma ótima oportunidade para o PT investir tudo que pode na melhoria de nossas cadeias, com a anuência e os aplausos dos meritíssimos.

E acreditava que José Dirceu seria o líder dessa bendita revolução, a que viria a dar ao PT, sem roubar e sem destroçar o Brasil, o lugar que tanto sonhou: o partido que ia ficar até o fim dos tempos no poder. Mas ele em vez de pedir para atuar como advogado e assim melhorar a situação dos despossuídos pelos quais o PT diz que mata e morre, não. Quer ir trabalhar num hotel 5 estrelas onde, já sabemos, estará livre para receber quem quiser e para se tornar, mais uma vez, credor de todos a quem prestar um favor, nem que seja apenas um ‘drink’ de boas vindas no bar do hotel...

Não sei se isso vai ser permitido, mas sei que é caso para alerta vermelho.  E o pedido daquele célebre preso político que entrou de cabeça coberta na viatura que o levou para a prisão? Que só se revela no twitter, na vida real, não? Ele quer trabalhar na CUT de Brasília. Na área de organização sindical. Gozado, não? Nada mais que isso. Só quer continuar na área.

Já o caso do José Genoíno é diferente. Lendo com cuidado o laudo dos médicos da Câmara ficamos sem saber se ele pode ou não voltar para a prisão. Não discuto isso, já que não sou médica. Mas um dado me intriga. A equipe do Sírio-Libanês que operou o mensaleiro também faz parte da equipe que cuidou da saúde de dona Dilma. Por que não lhes pedir, desde que a família do Genoíno banque os custos, um laudo sobre seu estado? Será que tem alguém que conheça melhor seu problema que os médicos do hospital paulista? Ou é só preconceito contra o que se convencionou chamar de ‘médico de ricos’? Ou será porque mensaleiro tem mais é que sofrer? Só sofrendo ele vai pagar o que nos fez? Parece até pré-Beccaria!
Concordo com o Elton Simões que publicou aqui um bom artigo sobre disco arranhado. Mas eu estou esperando que o cantor principal abra a boca. Enquanto ele não cantar, não troco o disco.

Por: Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005. Ela também tem uma fanpage e um blog – Maria Helena RR de Sousa.

Transcrito do Blog do Noblat



A figura do deputado-presidiário é um escândalo ainda maior que o Mensalão - mas, tem um maior ainda: O Supremo ter se curvado a pressão da Câmara, que se tornou Corte revisora da Suprema Corte

Strip-tease institucional
 A prisão dos mensaleiros pôs o sistema carcerário brasileiro em estado de plena nudez. Mas não apenas: também Judiciário e Legislativo têm, novamente, suas mazelas expostas. A figura do deputado-presidiário é um escândalo ainda maior que o Mensalão. É inconcebível que quem viola a lei – e é condenado em última instância por isso – continue a ostentar o título de legislador. É uma contradição em termos. No entanto, enquanto a Câmara dos Deputados não se manifestar, os presidiários José Genoíno, Pedro Henry e Valdemar Costa Neto continuam parlamentares.

Nessa condição, continuam a ostentar prerrogativas incompatíveis com o novo local de residência. Isso só acontece porque o Supremo Tribunal Federal, pressionado pela Câmara dos Deputados, concordou em dar-lhe a palavra final. A Câmara impôs no grito o seu ponto de vista, que, além de inconstitucional, é surrealista. Com isso, conquistou uma prerrogativa a mais: a de ser a Corte revisora da Suprema Corte. E o impensável precedeu a situação dos mensaleiros. O deputado Natan Donadon, condenado pelo STF por roubo de dinheiro público, foi absolvido pela Câmara. Levou para o xadrez o seu mandato.

O escândalo foi de tal ordem que o próprio Congresso decidiu dar fim ao voto secreto para questões de cassação de mandato e vai reavaliar a situação de Donadon em votação aberta. Não fosse isso, José Genoíno, Valdemar Costa Neto e Pedro Henry (falta ainda definir a sentença de João Paulo Cunha) teriam seus mandatos preservados pelo espírito de corpo (ou de porco). Se funcionou para o obscuro Donadon, que ninguém conhecia, por que não funcionaria para colegas com muito mais prestígio? Mas Donadon chegou a tempo de evitar o pior.

Causou tal desconforto na opinião pública (que de vez em quando se manifesta) que não parece possível tê-lo como padrão. Genoíno, que o PT quer transformar em herói nacional, foi condenado, em síntese, pelas mesmas razões de Donadon.  É tão herói quanto ele. Seu estado de saúde não altera os fatos. Pode ensejar cuidados diferenciados, mas não a essência moral do que o levou ao presídio. Ambos lá estão por lesar o Estado, que, como legisladores, deveriam preservar.

Idem os demais. A movimentação para atenuar ou mesmo impedir o cumprimento da pena, com manifestos, declarações e oferta de empregos improvisados desafia a conduta da Justiça.  Joaquim Barbosa, responsável pela execução das penas, tem sido destratado de maneira inconcebível, inclusive pelos sentenciados. É apontado como tirano, como se a condenação tivesse sido manifestação solitária dele e não do plenário do STF. Não foi ele quem causou a cardiopatia de Genoíno, nem quem o induziu a assinar empréstimos fraudulentos para o PT.

Coube-lhe, como relator da ação penal, articular os dados constantes dos autos, manifestar seu voto e submetê-lo ao plenário, que, por maioria, o acompanhou. O interessante é que a revolta contra a execução penal se concentra no núcleo político dos mensaleiros. Não há nenhuma palavra quanto aos demais sentenciados – ao todo, 25. Ninguém está interessado em saber em que condições estão, por exemplo, Kátia Rabello ou Marcos Valério, condenados em regime fechado por algumas décadas.  A eles, o governador Agnelo Queiroz ou o senador Eduardo Suplicy não fazem visitas. [a visita do Agnelo Queiroz foi também técnica e de exploração: interessa ao governador petista do DF, conhecer melhor o presídio da Papuda, para propiciar melhores condição para bandidos condenados por corrupção, por lesar os cofres públicos - Agnelo sabe que é mera questão de tempo ele ser um dos moradores compulsórios da Papuda.]
 
E o que os diferencia dos políticos-presidiários? O Mensalão só aconteceu porque formou-se um núcleo político para articulá-lo. Os demais agentes – Valério, Kátia etc. - foram por ele motivados e mobilizados. A rigor, pois, as penas mais duras deveriam caber a quem tinha poder para viabilizar a trama. Mas não foi assim. Dessa forma, Valério, que não teria feito o que fez sem o aval de José Dirceu e aliados petistas, purga pena bem mais drástica que os que, na cadeia de comando, davam-lhe ordens e pautavam suas ações. Mas quem disse que o senso comum faz parte da política brasileira?

Fonte: Ruy Fabiano, jornalista 
 

A prioridade absoluta, suprema, do governo deve ser a construção de hospitais - presídios, quando e se sobrar dinheiro - ninguém adoece por querer, já delinquir é escolha

Alerta com situação dos presídios deve ser permanente 

A atenção da sociedade só costuma se voltar para o sistema penitenciário quando episódios pontuais jogam luzes sobre esse mundo que vive ao largo dos direitos humanos. [lembramos que a maior parte dos presidiários estão presos por crimes cometidos contra os direitos humanos; então impõe-se a pergunta: qual a necessidade de priorizar direitos humanos para pessoas que não respeitaram os mesmos direitos de outras pessoas?] Caso, por exemplo, da explosão de crises internas (rebeliões, assassinatos nas celas e ações de demonstração de força das facções que controlam os presídios) ou da pressão de fatores externos (por exemplo, a prisão de personalidades públicas).

O recolhimento de mensaleiros graduados do PT aos presídios tem sido um desses momentos; durante o julgamento do processo, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, falou em “masmorras medievais”, repisando uma expressão também empregada pelo então presidente do STF, Cezar Peluso, para se referir ao complexo (supostamente) correcional brasileiro. O tema das prisões desumanas também vem à tona quando a rotina de violência e criminalidade nas celas explode para fora dos muros das penitenciárias.

Pelo quadro de graves desrespeitos aos direitos dos presos, que só piora com o aumento exponencial da população carcerária, os presídios deveriam ser uma preocupação permanente do poder público, objeto de programas sérios de melhorias e de adequação física ao princípio correcional da aplicação de penas como reparo social pela transgressão das leis. As masmorras brasileiras não recuperam o preso; antes, o agravam física e moralmente na expiação, por confiná-lo num sistema balizado pela violência e pela superlotação das celas (em razão do déficit de vagas, 390 mil para cerca de 550 mil detentos). Destituídas de uma política eficaz de regeneração, se transformam em universidades do crime.

No rastro da discussão sobre a recente leva de prisões de notáveis do PT, revelam-se novas mazelas das cadeias. Caso do desapreço com a sanidade física dos detentos, por cuja integridade o Estado é responsável: dez anos após o governo federal instituir o Plano de Saúde no Sistema Penitenciário, apenas 6% das unidades do país têm este tipo de serviço — algo inaceitável num universo com estratosféricos índices de infecção por doenças contagiosas e outras provocadas por falta de cuidados sanitários.

Há, também, menosprezo pela situação jurídica dos detentos, como a existência de 20 mil condenados a regime semiaberto cumprindo pena em regime fechado. Os problemas são incontáveis. Ao baixo índice correcional correspondem altas taxas de reincidência em crimes de apenados que voltam à liberdade; o controle de fato das cadeias se exerce pela divisão de áreas dominadas por facções criminosas etc.

Tudo somado ajuda a explicar por que a rede penitenciária, uma das pontas do sistema penal, se revela tão inepta em suas funções quanto os outros elementos desse complexo (legislação penal, execução de penas, política correcional etc.). O sistema não pode depender de fatos pontuais, como a prisão de figurões, para que se busquem as soluções. Os presídios precisam estar permanentemente na agenda do poder público.

Fonte: Editorial - O Globo

Barão das drogas dita as regras nos arredores do Galeão

Quem manda e desmanda na vizinhança do aeroporto internacional do Rio é Fernandinho Guarabu, traficante que sustenta seu império com armas pesadas e corrupção policial 

E tudo isso bem ao lado do Galeão

A Ilha do Governador já foi um bairro do Rio de Janeiro exaltado pela qualidade de vida. Sobre ele escreveram, com nostalgia, Vinicius de Moraes, que lá passou a infância nos anos 1920, e Rachel de Queiroz, que morou ali duas décadas depois. Uma ilhota bem ao lado sedia a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Outra, conhecida como Galeão, é a porta de entrada dos milhões de estrangeiros que chegam à cidade pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim. Pois nessa área, onde residem 211 000 pessoas e circulam acadêmicos, estudantes e turistas, ainda hoje um reduto da classe média, quem manda e desmanda é um barão das drogas: Fernando Gomes de Freitas, 35 anos, um dos traficantes mais poderosos e sanguinários do Rio e o que há mais tempo escapa por entre os dedos da polícia - no dia 1º de dezembro faz uma década que ele se estabeleceu no comando.

 PODEROSO CHEFÃO - Fernandinho Guarabu (de camisa listrada) e seu AK-47: "Igual ao do Bin Laden" 


Temido, temperamental, sempre cercado de seguranças, Fernandinho Guarabu, seu nome de guerra, controla o transporte, o gás, a TV a cabo, os bailes funk, a religião e, claro, a vida e a morte nos seus domínios. O conjunto de favelas colado ao segundo aeroporto mais importante do país é uma fortaleza patrulhada dia e noite por um exército armado com mais de 200 fuzis, granadas, coletes e até armamento antiaéreo plantado nos becos. Drogas são vendidas abertamente nas ruelas. O QG de Fernandinho fica no Complexo do Dendê, por onde ele perambula com seus carrões, joias e roupas de grife, dormindo cada noite em um lugar (tem sete filhos com sete mulheres) e brandindo sua arma favorita, o fuzil AK-47 - "igual ao do Bin Laden", como gosta de enfatizar. Nessa década de impunidade, colecionou catorze mandados de prisão por oito homicídios, além de tráfico de drogas, armas e extorsão. Jamais foi detido. Ele garante a liberdade na ponta da calculadora, num exemplo contundente de como a corrupção policial pode ser decisiva para a manutenção de um reinado de horror: o chefão do Dendê paga cerca de 300  000 reais por mês em propinas.

IMPUNIDADE - Bandido vestido para a guerra, com granadas, colete à prova de bala e metralhadora antiaérea (à esq.), e venda de drogas no meio da rua: território livre para o crime

 VEJA ouviu mais de uma dezena de policiais com passagem pela Ilha do Governador e deles obteve ampla confirmação do propinoduto. "Lá no batalhão a gente brinca que o Dendê é o Citibank", diz um sargento com quase uma década de experiência na área. "Os preços variam de 450 a 550 reais por dia de serviço no meio de semana, e até 1 000 no fim de semana, que é pra deixar o baile em paz", conta um soldado. Uma das mais espantosas investigações ainda em curso sobre a quadrilha indica a participação no esquema até mesmo de uma equipe do Bope, a tropa de elite carioca. Sai caro: 12 500 reais por plantão. Outra parte do pagamento vem em forma de mimos e favores. Certa vez, ao descobrir que um PM não estava conseguindo bancar a festa de 15 anos da filha, o chefão pagou a conta. Em outra ocasião, mandou entregar picanha e linguiça para um churrasco no batalhão, e assim manteve os policiais longe das ruas em um dia de ação mais ostensiva do tráfico.

Nas hostes das forças da ordem, Fernandinho conheceu aquele que é hoje um de seus homens de confiança: um ex-policial militar apelidado de Batoré, que, ainda na ativa, foi flagrado vendendo pistolas no Dendê, em 2006. Batoré acabou preso e expulso da corporação; mal saiu da cadeia, ganhou emprego fixo na favela. Por 8 000 reais semanais, administra o que parece ser o mais lucrativo negócio de Fernandinho depois das drogas e armas: o transporte alternativo. "Ele ganha dinheiro de tudo o que é comercializado dentro da ilha: varejo, máquinas caça-níqueis, mototaxistas, água, gás. Mas nada rende tanto quanto as vans e kombis", diz um inspetor da delegacia da área. Batoré dita as regras e os valores dos pedágios. "Pelo menos 600 motoristas estão pagando hoje para eles", calcula o proprietário de uma van, que também desembolsa a "taxa".

Os preços semanais da extorsão variam entre 250 e 330 reais, que no fim somam cerca de 800 000 mensais. Quem se recusa a colaborar é punido com ações que vão do incêndio do veículo a sessões de tortura no morro. O conteúdo de conversas grampeadas pela polícia, às quais VEJA teve acesso, não deixa pairar dúvida sobre o pendor da gangue pela selvageria - "virar sereia", no vocabulário local, significa ter o corpo despejado na vizinha Baía de Guanabara - e sua promíscua relação com os homens da lei ("Sou parceiro", resume um agente).

Certa aura de glamour envolve esse barão das drogas, que patrocina bailes funk capazes de atrair da Zona Sul ao Dendê, além de policiais, artistas, filhos de conselheiros do Tribunal de Contas, jovens de classe média e, claro, jogadores de futebol. Diego Souza e Vagner Love são frequentadores, mas o grande amigo de Fernandinho é outro ex-jogador rubro-negro, o atacante Lê. No último dia 20, Lê organizou uma festa-surpresa para comemorar o aniversário do chefão. A polícia acompanhou os preparativos sem mover um dedo. "Não é só por causa de propina que ele não é preso. Tem também a estatística", diz um delegado da cúpula da Polícia Civil. A estatística, no caso, é o declínio dos crimes comuns na região por ordem expressa do traficante, que, além disso, pratica um rasgado assistencialismo: dá gás, remédio, cesta básica, paga enterro, tudo para ter apoio dos moradores que mantém sob mãos de ferro. Nas cercanias do Dendê, o chefão atropela até os códigos de trânsito; nenhum motociclista deve usar capacete, para que possa ser identificado.

 LEI PRÓPRIA - No Dendê, ninguém usa capacete, para facilitar a identificação, e as vans pagam taxa: ameaças expostas em grampos
Os poucos policiais que já tentaram detê-lo sucumbiram à sua demonstração de força. Em 2012, o cabo Fabrício de Paula, de 39 anos, comandava uma equipe que insistia em combater o tráfico no Dendê e pagou caro por isso: o carro que dirigia foi alvejado por mais de vinte tiros de fuzil. Ele sobreviveu, mas teve o braço direito quase decepado. Sua cabeça, dizem os colegas, valia àquela altura 150 000 reais. A quadrilha não mede esforços para silenciar os inimigos. Às 3h10 da madrugada do dia 20 de junho de 2011, dez homens armados entraram em um hospital municipal a poucos quilômetros do Dendê e, sem encontrar resistência, levaram um paciente que dera entrada horas antes, ferido a bala. Resgate de comparsa? Nada disso. O rapaz filmou para a polícia a movimentação na favela. Fernandinho descobriu, mandou matá-lo, mas ele escapou ao cerco e procurou o hospital. Foi retirado de lá para ser executado.





SOCIEDADE - O parceiro Gil, que também dá ordens no Morro do Dendê (à esq.): há dez anos que a polícia faz vista grossa aos desmandos do bando

O tráfico começou a se entranhar no cotidiano dos moradores da Ilha do Governador nos anos 1990. As disputas de território aterrorizaram a região até que, em 2003, Fernandinho tomou a bala o controle do Complexo do Dendê junto com o comparsa Gilberto de Oliveira, o Gil (também solto). "Quem manda aqui não é Fernandinho e Gil. É Jesus! O dono da favela são vocês, moradores. A gente só administra", já disparou o próprio Fernandinho diante da plateia de um abarrotado baile funk. O barão da Ilha confia tanto na impunidade que, há quatro anos, deu entrevista à revista americana New Yorker sobre o tráfico no Rio. Posou, inclusive, para foto no sofá da sala, com "Jesus Cristo" tatuado no antebraço direito. Sem aderir a nenhuma denominação, afirma "ter sido tocado pela palavra de Deus". Fechou terreiros de candomblé e umbanda e instalou alto­falantes por todo o complexo que transmitem uma oração ao cair da noite. Apaziguados os anseios espirituais, ele se sente mais à vontade para continuar fazendo o que faz há dez anos: vender drogas e armas, corromper policiais, explorar e achacar moradores e eliminar desafetos, informantes ou qualquer um que não reze pela cartilha criminosa em vigor na principal porta de entrada do Rio de Janeiro. 


Ordem para castigar um motorista de van que desafiou o bando
TRAFICANTE - Faz um favor? Senta a mão na cara dele pra mim? Senta a mão bem dada, no meio da cara, e manda ele vir resolver aqui. Ele vai puxar faca pra quem aqui?
COORDENADOR DAS VANS - Não manda que eu faço mesmo...
TRAFICANTE - Eu tô te dando uma ordem. Senta a mão no meio da cara, pra ficar os cinco dedos. Pra todo mundo saber o motivo do tapa. E fala pra ele: "Vai lá em cima agora falar com quem tu quiser".
​Policial convence um dos capangas de Fernandinho a não destruir sua van
PM - Quem tá falando é o dono da van que tá rodando o Edinho (motorista), se ligou na parada?
TRAFICANTE - Porra, que pressão, hein?!
PM - Irmão, não é pressão, não. Negócio é todo mundo trabalhar... Eu sou aqui do 17 (batalhão da região) também. Tá bom, meu parceiro.
TRAFICANTE - (...) Ninguém vai fazer nada com a tua van, não. Mas, se acontecer alguma coisa com ele, eu não quero nem saber. (...)
PM - Tranquilo, irmão. Tu me conhece, eu te conheço. É só pra tu ficar ligado e todo mundo trabalhar.


Fonte: Revista VEJA

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Dilma usa conhecimentos de ex-presidiárias para orientar auxiliares do primeiro escalão - é útil tais orientações, afinal são petistas e estão sempre a um passo da prisão

Romaria a presídio foi um equívoco, diz Dilma a petistas

Apesar de ter determinado silêncio no governo sobre as prisões dos condenados do mensalão, a presidente Dilma Rousseff reprovou o regime privilegiado que permitiu visitas fora de hora aos petistas presos no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Ela considerou um erro a romaria de políticos que foi à cadeia visitar os petistas na primeira semana de detenção. E vê o risco de que outros presos e seus parentes fiquem revoltados com a situação.


 Familiares de presos fazem fila para visitar parentes no presídio
Em viagem a Fortaleza no dia 22, Dilma discorreu sobre os três anos em que ficou presa durante o regime militar e, diante de ministros e congressistas, falou sobre o que a experiência lhe ensinou para evitar problemas na prisão. Além de auxiliares do primeiro escalão, estavam a bordo do avião presidencial o líder do PT na Câmara, José Guimarães (CE), irmão do deputado José Genoino (SP), preso na Papuda com o ex-ministro José Dirceu e o ex-tesoureiro petista Delúbio Soares.


A romaria de políticos à Papuda reuniu 26 deputados do PT no dia 20 para ver Dirceu, Delúbio e Genoino --que depois saiu do cárcere para tratamento médico e aguarda decisão sobre seu destino. Dilma recomendou aos petistas que as visitas sejam breves para não irritar os familiares dos demais presos, com acesso mais restrito às áreas de segurança e sempre submetidos a controle rígido para conseguir entrar no local.

O mandato assegura aos congressistas visitas fora dos dias convencionais. Mas a caravana de políticos irritou familiares dos presos que formam filas nas madrugadas dos dias de visita e gerou críticas. Para Dilma, episódios assim podem gerar animosidade desnecessária na Papuda contra os petistas presos. "Eu estive lá, sei como é", disse a presidente, conforme relatos de participantes da viagem a Fortaleza, relembrando seus anos na Torre das Donzelas, apelido da ala onde ficava no antigo presídio Tiradentes de 1971 a 1974.

Dilma afirmou que a regra básica no cárcere é conquistar a confiança dos outros presos. Também é "fundamental saber cozinhar", aconselhou a presidente durante a conversa no avião. Para ela, além de garantir a qualidade da comida, o trabalho na cozinha ajuda a matar o tempo e pode funcionar como terapia. No regime semiaberto ao qual estão submetidos os petistas, é possível ser selecionado para trabalhar na cantina da cadeia. "Os presos comuns e os carcereiros eram nossos aliados", disse. Na ditadura, os carcereiros costumavam comprar livros encomendados pelos presos políticos. Assim como os outros detentos muitas vezes transportavam bilhetes trocados entre os homens e mulheres detidos por se opor ao regime militar.

Em seguida, conforme contaram alguns dos presentes durante a viagem a Fortaleza, Dilma classificou como "tremenda bola fora" a exibição de tratamento diferenciado. Apesar das críticas, a presidente manifestou, mais uma vez, preocupação com a saúde de Genoino. Operado para uma correção na artéria aorta recentemente, ele teve um pico de pressão e foi hospitalizado. Agora aguarda decisão sobre seu destino na casa de um parente. Duas juntas médicas consideraram que seu quadro não é grave. 

Fonte: Folha de São Paulo

 

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Administração penitenciária do DF – subordinada ao governo petista do Agnelo Queiroz (bem cotado para em breve ser também hospede da Papuda) – afronta decisão judicial e mantém liberdade total para visitas aos mensaleiros


Ministro Barbosa enquanto o senhor não determinar a transferência para a Papuda do criminoso condenado Zé Genoíno e os juízes
Mensaleiros voltam a receber visitas na Papuda

José Dirceu e Jacinto Lamas receberam visitas nesta sexta-feira, apesar de decisão contrária da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal
Apesar da determinação da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para que os mensaleiros presos recebam o mesmo tratamento dos outros condenados, pelo menos dois deles receberam visitas nesta sexta-feira no Complexo Penitenciário da Papuda: José Dirceu e Jacinto Lamas, ex-tesoureiro do PL.

A informação de que Dirceu recebeu visitas foi confirmada por funcionários do presídio, mas os nomes não foram divulgados. No caso de Lamas, entre os visitantes, um deles era um padre da congregação religiosa Legionários de Cristo. Nesta quinta-feira, a Vara de Execuções Penais atendeu a um pedido do Ministério Público e decretou o fim de qualquer tratamento diferenciado aos mensaleiros. Os privilégios teriam causado, segundo a decisão, "clima de instabilidade e insatisfação" no presídio. 

A decisão significa que os parentes e amigos de criminosos como Dirceu e Marcos Valério teriam de comparecer no complexo prisional as quartas e quintas-feiras e se submeter aos mesmos procedimentos dos outros visitantes – o que inclui uma longa fila e a passagem por uma revista individual. A direção do sistema penitenciário informa que não há privilégios, e diz que o tratamento diferenciado é uma forma de proteger a vida dos presos mais conhecidos e de suas famílias. Mas, pela decisão judicial, as autoridades do governo local estão sujeitas a punição por desrespeitarem a isonomia entre os detentos.

Após a constatação do desrespeito à determinação judicial, o Tribunal de Justiça do Distrito Federal informou ao site de VEJA que cabe ao Ministério Público informar a Vara de Execuções Penais sobre possíveis irregularidades no tratamento aos presos. As seis promotoras que redigiram a recomendação confirmada pela Justiça ainda não se pronunciaram sobre o episódio.

Fonte: Revista VEJA

O gerente Dirceu e o professor Delúbio. Ou: “Empregos” acintosos



É claro que José Dirceu e Delúbio Soares fazem, à sua maneira, pouco caso da Justiça e da punição ao anunciar as suas respectivas intenções de trabalho. Se alguém me passasse uma lista de atividades possíveis para Dirceu exercer e me pedisse para excluir algumas, a primeira seria justamente aquela que ele escolheu. Que mente tem este rapaz! Ooops! Desculpo-me com o ancião que agora quer ser beneficiado pelo Estatuto do Idoso! Que mente tem o vovô Dirceu! Confesso que chego a ficar impressionado!

Pensem bem: em que outro ramo ele poderia, se quisesse (é claro que ele será um gerente de hotel dedicadíssimo; sabe tudo da área!), exercer seu trabalho de “consultor de empresas privadas” sem ser importunado por ninguém? Bastará ao empresário interessado em seus conselhos hospedar-se no St. Peter. O mesmo vale para políticos, que sempre podem passar por lá para tomar um cafezinho. Assim, só as noites representarão uma quebra na rotina do lobista bem-sucedido, que continua, como se sabe, a ser um dos chefões do PT mesmo na cadeia. Não é o primeiro presidiário que passa “salves” para os colegas que estão do lado de fora do muro, não é mesmo?

É evidente que Dirceu sabe que a gente sabe e sabe que a Justiça sabe… A graça da coisa está justamente nisto: arrancar do Judiciário uma espécie de consentimento para a não pena. Caso não seja bem-sucedido nos embargos infringentes, a sua condenação volta a ser de 130 meses (10 anos e 10 meses). Ao menos um sexto desse total (quase 1 ano e 10 meses) tem de ser cumprido em regime fechado mesmo. Aí estará criada a questão: esse início em regime semiaberto será “descontado” de que fase? O seu “patrão”, no entanto, não se importa em, eventualmente, ter de abrir mão de seu “gerente administrativo”. [conforme entendimento do ministro Marco Aurélio  a antecipação das penas favorece aos mensaleiros pois ao descontar a condenação embargada do total da pena, o resultado a ser cumprido de imediato passa a ser inferior a oito anos, permitindo o regime semiaberto e, naturalmente, cada dia é descontado do total da pena que está sendo cumprida.
Julgados os embargos infringentes e não admitidos a pena contestada se soma ao restante da que está sendo cumprida e sendo o resultado inferior a oito anos, o regime passa a ser o semiaberto.]

O “emprego” de Delúbio não é menos acintoso. A sua origem, como é sabido, é o sindicalismo — nem Lênin via essa gente com bons olhosO homem pertence à velha-guarda lulista, que levou para a política os métodos vigentes nos sindicatos, que nem sempre são os mais suaves. A CUT, de que ele já foi dirigente, decidiu contratá-lo justamente para o seu chamado “setor de formação”. Isso quer dizer que a central considera que a experiência de Delúbio é fundamental para formar a têmpera e o caráter de seus quadros.

E não deixa de ser, à sua maneira, verdadeiro. De todas as personagens do mensalão, nenhuma foi tão fiel à causa como Delúbio Soares. Ninguém fez, nesses anos todos, um silêncio tão obsequioso. Outros — até Luladeram uma fraquejada, mínima que fosse. O próprio Dirceu, basta pesquisar um pouco, andou dando recados aqui e ali — faz isso até hoje. Já houve até a ameaça de uma “biografia” contando tudo. Isso foi no tempo em que Dirceu temeu que o Apedeuta pudesse jogá-lo ao mar. Mas Lula não roeu a corda, e os originais da tal biografia desapareceram. Delúbio nunca nem mesmo tremeu. Está com a causa e fim de papo!

No setor de “Formação” da CUT, Delúbio será um professor. O que ele tem a oferecer? Certamente não vai falar sobre a necessidade de respeitar as instituições democráticas… Que fique claro: ao contratá-lo, ainda que fosse para ele ficar sentado numa sala caçando moscas, a central sindical está dando de ombros para a Justiça e deixando claro que não acata seus fundamentos e seus valores. “Ah, então é assim com qualquer empresa que contrate um presidiário em regime aberto ou semiaberto?” Claro que não! Ocorre que a CUT é uma entidade que representa trabalhadoresparte de seus ganhos, diga-se, deriva do indecente Imposto Sindical, compulsoriamente pago pelos trabalhadores. Delúbio cometeu um crime contra a ordem republicana, contra os fundamentos do próprio estado de direito. Chamá-lo para o “setor de formação” corresponde a dizer que a entidade não contrata apenas o seu trabalho, mas também referenda os seus valores.

E que se note: A Justiça tem a prerrogativa, sim, de vetar tanto um emprego como outro se julgar que não farão bem à ressocialização dos presos. Eu, por exemplo, vetaria — para preservar os dois de si mesmos. Um presidiário tem a sua liberdade tutelada pelo estado. Como o objetivo é fazer com que Dirceu e Delúbio sejam pessoas melhores ao fim da pena, conviria não lhes facultar circunstâncias que acabem predispondo ao crime, não é mesmo?

Pensando no bem de ambos, fosse eu o juiz das execuções penais, diria “não” a um e a outro. É preciso pensar na alma desses reeducandos.

 Por: Reinaldo Azevedo – Revista VEJA


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